Ministro demite professor campinense da presidência da Capes

Da redação com Folhapress. Publicado em 12 de abril de 2021 às 15:27.

Foto: Mackenzie

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PAULO SALDAÑA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro da Educação, Milton Ribeiro, decidiu por mais uma mudança nos quadros da pasta. O presidente da Capes, Benedito Guimarães Neto (foto), foi demitido do cargo.

A demissão ainda não foi oficializada no Diário Oficial da União, mas foi confirmada à Folha de S.Paulo pelo próprio Benedito. Ele foi avisado da demissão na sexta-feira (9), pessoalmente, e disse ter sido pego de surpresa.

“O que eu tenho para dizer, com toda sinceridade, é que eu não sei o motivo. É um ato de gestão do ministro, sem me dar as explicações. Eu perguntei, ele disse que era uma decisão política. Foi a única coisa que me adiantou”, disse.

“Ele me conhece, sabe quem eu sou, poderia ter explicado melhor, mas ele tem todo o direito de colocar na equipe dele alguém que ele ache que concorde.”

Vinculada ao MEC, a Capes é responsável pela regulação e fomento da pós-graduação no país.

Apesar de ambos serem presbiterianos, Milton Ribeiro e Benedito não tinham uma boa relação. Ribeiro via o presidente da Capes como uma ameaça a sua posição -os dois atuaram no Mackenzie.

Ainda há pressão sobre as novas regras da Capes de avaliação de programas de pós-graduação, sobretudo da área do direito, de acordo com relatos feitos à reportagem.

Benedito chegou cargo em janeiro de 2020. Ele foi indicado pelo ex-ministro da Educação Abraham Weintraub.

Sua escolha causou polêmica porque, como a Folha revelou, ele já havia defendido a abordagem educacional do criacionismo em “contraponto à teoria da evolução”.

Sob Benedito, a Capes alterou o formato de distribuição de bolsas, ainda na gestão Weintraub, que esvaziou o fomento para a área de humanas. Pesquisadores de todo país criticaram mudanças intempestivas nessas regras.

Com o passar dos meses, a relação da Capes com pesquisadores foi sendo amenizada. Mas, com a chegada de Ribeiro, o clima não melhorou dentro do MEC -o presidente da Capes teve poucas oportunidades para se reunir com o ministro.

“Há um respeito muito grande da academia para comigo, pela minha trajetória. Fiquei surpreso, mas respeito o ato de gestão”, disse Benedito, que negou que existam conflitos com o ministro. “Não tem histórico de desentendimento, ele sempre me tratou bem, com respeito, e a recíproca é verdadeira.”

Há temor entre funcionários da Capes e membros da academia de que a mudança no comando do órgão possa impactar o andamento da avaliação quadrienal dos programas de pós.

Por outro lado, mais de 2.000 pesquisadores solicitaram à Capes, em carta desta segunda, o adiamento da avaliação no contexto da pandemia, segundo divulgado pela Anped (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa).

O MEC e seus órgãos vinculados vêm passado por mudanças recentes. Ribeiro já trocou o presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), dois diretores do instituto, e acaba de oficializar uma troca na secretaria de Educação Básica do MEC.

Mauro Rabelo, que era adjunto da subpasta, ficará no lugar antes ocupado por Izabel Lima Pessoa, que saiu no fim de março. Foi a 5ª mudança no cargo desde o início do governo Jair Bolsonaro (sem partido).

O MEC foi questionado mas não respondeu até publicação desta reportagem.

Evangélico, Benedito Guimarães Aguiar Neto foi reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ele é graduado e mestre em engenharia elétrica pela UFPB (Universidade Federal da Paraíba), doutor na área pela Technische Universität Berlin, na Alemanha, e pós-doutorado pela Universidade de Washington, nos EUA.

Ele também teve atuação em entidades representativas do setor privado de ensino superior. Foi presidente do CRUB (Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras) e da Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas.

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