Ministro da Saúde: “​É meu dever persuadir meu presidente”

Da Redação. Publicado em 12 de abril de 2021 às 21:00.

Foto: Abr

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O paraibano Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, concedeu uma longa entrevista ao jornal Folha de São Paulo, neste domingo.
A seguir, trechos de suas declarações.

“Se me perguntar qual o objetivo número 1 da minha gestão, diria: implementar uma campanha de vacinação que possa em curto espaço de tempo atingir toda a população brasileira. Para isso, precisamos otimizar a gestão do Ministério da Saúde.

“Esse número de mortes que ocorre hoje é reflexo do que ocorreu. O que aconteceu: campanha política, feriado de Natal, férias, Carnaval que não teve ´Marquês de Sapucaí´ (RJ), mas que as pessoas estavam todas nas suas casas fazendo festinha. É reflexo dessas ações.

“Na minha primeira manifestação à imprensa, citei a pátria de chuteiras na Copa do Mundo e falei em termos uma pátria de máscaras. E é nítido que já houve uma mudança em relação a esse ponto no governo. Considero que devia já ter esse crédito de conseguir que as pessoas tenham maior adesão no uso das máscaras.

“Há um problema mundial de carência de vacinas. Precisamos do IFA (insumo usado para fabricação) que vem da China e às vezes atrasa, e por isso muda o calendário.

“A partir do segundo semestre conseguiremos ter mais doses disponíveis. O maior país a vacinar a população é os Estados Unidos. Depois que conseguirem vacinar a população deles, vamos ter mais doses, e essa é a nossa expectativa.

“​É meu dever persuadir meu presidente (Bolsonaro) em relação às melhores práticas. Se eu não conseguir, a falha é minha, e não do presidente.

“Eu me vacinei contra a Covid, e, antes de chegar aqui, me vacinei contra qualquer tipo de intriga. Não estou aqui para fazer política na saúde, mas de saúde.

“Não vamos resolver essas coisas na base da lei. Lei para usar máscara funciona? Não funciona, é preciso a população aderir. Lei para não roubar funciona? Não, estão roubando aí. Não é na base do grito que vamos resolver. É do diálogo, e estou aqui para isso.

“Não vim aqui para discutir cloroquina, vim para gerir o Ministério da Saúde (…) Se o que estava sendo feito tivesse surtido o resultado desejado, eu não seria o ministro da Saúde.

“Já chamei a comunidade científica, os técnicos do ministério, médicos assistenciais, e vamos buscar um caminho de convergência em cima das condutas que comprovadamente funcionam.

“O setor de saúde suplementar tem 48 milhões de beneficiários. Queremos saber os resultados obtidos, qual a mortalidade nas UTIs da saúde suplementar. Quero saber quantos pacientes da saúde suplementar ocupam leitos públicos.

“Não vejo riscos, mas vejo dificuldade de a iniciativa privada conseguir vacinas (…) Muita gente chega aqui dizendo que vai conseguir. Ótimo, traz. Quero ver para crer.

“Não acho que não funciona. O que digo é que uma medida homogênea para um país continental não se aplica, e isso tem que ser avaliado de acordo com o cenário epidemiológico de cada município e cada estado.

“Vamos fazer até o fim desta semana um protocolo a respeito desse tema (lockdown). Mas antes de medidas extremas temos que fazer o dever de casa, que é usar máscara, lavar mãos, aumentar a testagem, ter uma política de disciplina nos transportes urbanos”.

E a CPI da Covid?

Ainda o ministro:

“CPI é questão do Parlamento. Eu cuido da Saúde. Se acharem que devo ir lá fazer esclarecimentos, irei. É decisão judicial, e decisão cumpre-se.
*com informações da folhapress

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