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Hospitais de ponta avisam que oxigênio e anestésico acabam em uma semana

Da redação com Folhapress. Publicado em 7 de abril de 2021 às 21:35.

Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

Foto: Pedro Guerreiro / Ag. Pará

CLÁUDIA COLLUCCI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Com UTIs públicas e privadas lotadas, sete em cada dez hospitais de excelência do país enfrentam problemas com abastecimento de oxigênio e anestésicos para tratar pacientes com Covid-19 e correm o risco de ver seus estoques acabarem nos próximos dias.

A constatação é de um levantamento da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) com 88 instituições de ponta de todas as regiões do país, feito na terça (6). Cerca de 75% delas dizem que só têm o abastecimento garantido por uma semana ou menos. A situação também está crítica nos hospitais públicos.

Em relação ao oxigênio, 11 hospitais dizem que possuem o suprimento para menos de cinco dias. Eles estão localizados em São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Blumenau (SC), Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), João Pessoa (PB) e Belém (PA).

Quanto aos anestésicos, a situação é ainda pior: 23 hospitais relatam que estarão com os estoques zerados até a próxima sexta. Além das cidades acima, instituições de Atibaia (SP), Bento Gonçalves (RS), Brasília (DF), Niterói (RJ), Cariacica (ES), Serra (ES) e Ipatinga (MG) enfrentam o problema.

Quanto ao “kit intubação”, conjunto de anestésicos, sedativos e bloqueadores musculares, 27 hospitais afirmam que vivem uma situação crítica, com os medicamentos também acabando nesta semana. Só 17% dos hospitais dizem ter reserva para mais de duas semanas.

Segundo Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, nenhuma instituição se sente segura com estoque inferior a duas ou três semanas.

Ele diz que o desabastecimento de oxigênio, inclusive na capital paulista, é mais por instabilidade de logística. “É falta de caminhão, de cilindro, não é falta de produção.”

Já em relação aos anestésicos e ao “kit intubação”, ele diz que, em um primeiro momento, houve um desabastecimento devido à requisição administrativa do Ministério da Saúde junto aos fabricantes. “Mas, neste momento, está claro que o problema é a falta do produto devido à grande demanda”, afirma.

Britto afirma que, para evitar um colapso, há um movimento de empréstimo de produtos entre as instituições. Os fabricantes também estão liberando os medicamentos não mais pelo pedido original feito pelos hospitais, mas, sobretudo, pela urgência de cada instituição.

Ao mesmo tempo, foram formados grupos de hospitais para importar os medicamentos de fabricantes da Índia. “A gente não tem previsão de que em 20 dias, 30 dias, a situação se normalize. Então, não tem outra saída.”

Alguns dos produtos a serem importados serão suficientes para o abastecimento nos próximos 20, 30 e 50 dias, dependendo da oferta do medicamento “A ideia é ir trazendo-os à medida que os fabricantes forem liberando lá.”

Segundo ele, a Anvisa (Agências Nacional de Vigilância Sanitária) está resolvendo as últimas burocracias para a importação, como uma autorização especial para cada hospital, já que alguns medicamentos são de uso controlado.

Britto explica que alguns hospitais maiores conseguiram antever a crise e estão com uma reserva um pouco maior do que a maioria. “Mas os estoques estão indo embora também. Mesmo os grandes estão ficando apertados.”

Ele diz que, embora os hospitais relatem uma estabilidade ou até uma leve diminuição no número de novos casos de internações por Covid-19, a gravidade dos pacientes está maior, o que demanda mais tempo de UTI e, por consequência, mais suprimentos.

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