Manifesto pela democracia une presidenciáveis de oposição

Da redação com Folhapress. Publicado em 31 de março de 2021 às 22:04.

Foto: Montagem/ Paraibaonline

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JOELMIR TAVARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Seis dos pré-candidatos à Presidência em 2022 divulgaram nesta quarta-feira (31), em meio à crise militar no governo Jair Bolsonaro que coincide com o aniversário do golpe militar, o “Manifesto pela Consciência Democrática”, em que dizem que a democracia está ameaçada e que é preciso “defender o Brasil”.

O texto é assinado, em ordem alfabética, por Ciro Gomes (PDT), Eduardo Leite (PSDB), João Amoêdo (Novo), João Doria (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Luciano Huck (sem partido).

Cotados para a disputa do ano que vem, eles dialogam com forças de centro, direita e esquerda e fazem oposição a Bolsonaro. O presidente não é citado na carta, que alerta para a ideia de que “o autoritarismo pode emergir das sombras” quando sociedades se descuidam na defesa dos valores democráticos.

A iniciativa, que pode também apontar movimentações sobre alianças eleitorais, ocorre um dia depois da renúncia coletiva inédita dos três comandantes das Forças Armadas. Maior crise militar desde 1977, a situação levou preocupação ao Congresso Nacional e a setores da sociedade.

O manifesto foi articulado por Mandetta, que sugeriu a ação conjunta em reação às trocas feitas por Bolsonaro nos ministérios, que levaram à demissão do general Fernando Azevedo da Defesa e à saída da cúpula das Forças. O texto foi redigido entre esta terça (30) e esta quarta-feira (31).

No documento, os signatários relembram os esforços pela conquista da democracia depois da ditadura militar (1964-1985) e dizem que a saída do regime autoritário se deu pela união de “diferentes forças políticas no mesmo palanque”, com o movimento das Diretas Já.

“Três décadas depois, a Democracia brasileira é ameaçada. A conquista do Brasil sonhado por cada um de nós não pode prescindir da Democracia. Ela é nosso legado, nosso chão, nosso farol. Cabe a cada um de nós defendê-la e lutar por seus princípios e valores”, afirma o texto.

Os autores sustentam ainda que a democracia “é o melhor dos sistemas políticos que a humanidade foi capaz de criar” e relacionam o regime a valores como Constituição, liberdade, justiça, igualdade, respeito, prosperidade e solidariedade.

“Liberdade de expressão, respeito aos direitos individuais, justiça para todos, direito ao voto e ao protesto. Tudo isso só acontece em regimes democráticos. Fora da democracia o que existe é o excesso, o abuso, a transgressão, o intimidamento, a ameaça e a submissão arbitrária do indivíduo ao Estado.”

A carta afirma ainda, em tom de alerta, que “exemplos não faltam para nos mostrar que o autoritarismo pode emergir das sombras, sempre que as sociedades se descuidam e silenciam na defesa dos valores democráticos”.

Por fim, os subscreventes pedem que homens e mulheres que apreciam a liberdade, sejam civis ou militares, independentemente de filiação partidária, cor, religião, gênero e origem, “devem estar unidos pela defesa da consciência democrática”.

“Vamos defender o Brasil”, concluem.

A organização do manifesto une atores políticos que têm diferenças entre si e até já trocaram críticas publicamente, casos do ex-ministro Ciro Gomes e do governador de São Paulo, João Doria.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que se apresentou no PSDB como presidenciável e criou obstáculo para a candidatura nacional de Doria, deixou de lado a disputa interna para assinar o texto.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que deixou o governo Bolsonaro e passou a criticar o presidente, também faz articulações para disputar o Planalto pelo DEM. Ele mantém relação próxima com o apresentador da TV Globo Luciano Huck, que não tem filiação partidária nem confirma os planos de candidatura.

João Amoêdo, que concorreu em 2018 e é tido como o nome natural do Novo para a eleição de 2022, disse à Folha de S.Paulo neste mês que uma união de partidos e líderes em torno de ideias comuns será necessária para derrotar Bolsonaro em sua tentativa de reeleição.

Os seis signatários são também críticos à possibilidade de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por enxergarem na participação do petista uma repetição da polarização do pleito anterior.

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