Colunista comenta sobre os destempero de Jair Bolsonaro

Da Redação*. Publicado em 6 de março de 2021 às 12:50.

Foto: Isac Nóbrega/PR

Foto: Isac Nóbrega/PR

Infelizmente, para nós, brasileiros, o cidadão Jair Bolsonaro não consegue aquilatar a dimensão que tem a ´instituição´ chamada Presidência da República.

Ela encarna a representatividade e a fisionomia de um povo.

Novamente, ontem, o ´capitão´ protagonizou uma fala deselegante, insensível e até afrontosa, durante passagem pelo estado de Goiás. Confira.

“Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos que enfrentar os problemas. Respeitar, obviamente, os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades. Mas onde vai parar o Brasil se só pararmos?

“Por que vocês não ouvem falar de vacina em países da África? Ou em alguns países aqui da América do Sul? Porque não tem dinheiro. Não tem economia, então não tem vacina. Se nós destruirmos nossa economia, podem esquecer um monte de coisa.

“O povo quer trabalhar! Venham (governadores) para o meio do povo, conversem com o povo! Não fiquem me acusando de fazer aglomeração, aqui tem aglomeração, em todo lugar tem.

“Quando se fala essa em ´essa atividade é essencial, aquela não´. Atividade essencial é toda aquela necessária para o chefe de família levar o pão para dentro de casa, porra.

“Tem idiota nas redes sociais, na imprensa, ‘vai comprar vacina’. Só se for na casa da tua mãe! Não tem para vender no mundo!”

A verborragia (quase diária) do presidente, insisto, é repugnante: no vernáculo, na grosseria, no desrespeito aos cidadãos.

Na verdade, a milhões de cidadãos.

Mas, deploravelmente, é muito mais: é a insistência deliberada num discurso e numa postura abomináveis, que resvala para impensável e inaceitável insensibilidade.

Não se tem notícia – pelo menos não recordo – de um gesto de fraternidade explicita e compenetrada do presidente na direção das centenas de milhares de famílias enlutadas; uma visita sua a um hospital que acolhe paciente com Covid 19.

O que há de iniciativa do governo central é quase sempre realizado ´a fórceps´, à base de muita pressão, ou por determinação judicial.

É justo e necessário pontificar que parte da população tem uma responsabilidade imensa no quadro caótico e desesperador que enfrentamos, porque muita gente está literalmente ignorando o coronavirus e mantendo as rotinas – e principalmente o lazer – individuais inteiramente inalteradas.

Acontece que a representatividade da Presidência da República, acima mencionada, faz uso dessa prerrogativa – e também do segmentado carisma – para encarnar um discurso negacionista que impulsiona (e estimula) os que teimam em pensar que a Covid é uma ´gripezinha´.

O vírus tem um modo de propagação singelo e conhecido: é o ritmo da mobilidade e do contato entre as pessoas, sem as medidas de prevenção.

Efeito adicional: à medida que o vírus se espalha, a sua reprodução cresce desmedidamente e vai apresentando singularidades – as novas variáveis – que incrementam a sua expansão e tendem a dificultar o seu controle.

Noutra perspectiva, coletivamente estamos fazendo uma aposta temerária e até inconsciente: de que o esgotamento físico e psicológico dos profissionais da saúde que estão na linha de frente do enfrentamento à pandemia, nunca vai chegar a um estágio de exaustão, o que significaria a potencialização do caos na saúde pública.

O poeta e filósofo romano Horácio – que ´empresta´ o seu nome ao renomado juiz campinense (Horácio Ferreira de Melo Júnior) – ensinou que “há uma medida nas coisas, um limite nas coisas, além do qual o bem não pode subsistir”.

Inegavelmente, o nosso presidente ultrapassou os limites; transbordou na irracionalidade.

* com informações da coluna Aparte, assinada pelo jornalista Arimatéa Souza

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