Ex-presidente FHC: os governantes parecem incapazes de ouvir

Da Redação. Publicado em 17 de janeiro de 2021 às 16:56.

Foto: Divulgação

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O ex-presidente (e considerado o ´príncipe´ da sociologia) Fernando Henrique Cardoso concedeu, dias atrás, uma entrevista ao jornal ´Estadão´.

Alguns trechos são destacados a seguir.

“Poderia haver uma compreensão maior do sofrimento dos outros. À medida que você não se solidariza, paga o preço.

“A sensação que (os governantes) transmitem é que eles não são capazes de ouvir. O presidente principalmente, né? Tem verdades absolutas, vai para a ideologia. Acho isso perigoso.

“Temos os tribunais, o Congresso, a mídia, o clima é de liberdade. O que eu acho é que ele (Bolsonaro) não tem muita noção, não sabe lidar com aquilo lá. Mas não há projeto autoritário.

“Primeiro, preciso acreditar que ela vai terminar, porque ela vai terminar. Meus pais falavam da gripe espanhola, na qual morreu muita gente. E o bichinho prefere matar gente velha. Eu fico em casa com medo, mas acho que dá para sobreviver.

“Agora, a economia será bastante afetada, o tal novo normal vai ser a recuperação do que perdemos, não só no Brasil. E acho que não vai ser tão rápido assim.

“Essa pandemia não depende de governos. Eu passei por crises que não dependiam de mim, embora o povo acabe achando que o governo é o culpado.

“Agora, não tem cabimento trocar tanto de ministro da Saúde no meio de uma pandemia. E não tem cabimento esse descrédito. Não é uma gripezinha, é uma coisa grave.

“Nunca vi o presidente Bolsonaro na minha vida. Não dava atenção a ele no Congresso porque ele gritava muito, era muito corporativista, queria aumento de salário para os militares, essa coisa toda. Então, não sei como ele é como pessoa.

“Não quero cometer injustiça. Quando eu era presidente vi muitos julgamentos precipitados. Não quero fazer o mesmo com o presidente Bolsonaro.

“Você não sai de uma entalada como a que temos hoje sem que transmita confiança. Se você erra o caminho, apanha. Se acerta, fica glorioso.

“Quando eu era presidente, para não ficar perdido, o que eu fazia? Falava com o cara que limpava a piscina, com o garçom do palácio (do Alvorada), com uma empregada chamada Dalina. E um dos motoristas também. Porque se você não sente a população está perdido.

“Quem vai falar com o presidente vai por um interesse, e não fala necessariamente a verdade. Ou fala de modo que o outro lado não fique melindrado.

“Você vê a desigualdade, a pobreza, você naturaliza. Esse é o problema mais grave que temos, é você não perceber. O brasileiro não percebe a existência de tanta diferenciação, tanta desigualdade”.

Ainda FHC: “Se a pandemia deixar uma lição positiva, é essa. Ela pega todo mundo”.

*com informações do ´estadao´

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