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Após vencer Covid-19, pediatra que voltou à linha de frente é o primeiro a receber vacina em hospital

Da Redação com Ascom. Publicado em 23 de janeiro de 2021 às 10:00.

Foto: Ascom

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“Do sétimo para o oitavo dia da doença comecei a ter desconforto respiratório progressivo e quando fiz a tomografia tinha quase 50% de comprometimento pulmonar. Fiquei muito atemorizado, chamei meu filho mais velho que está se formando em medicina e falei: a coisa não tá boa”, relatou o pediatra e coordenador de Neonatologia do Hospital do Hapvida em João Pessoa, Alexandre de Almeida.

Alexandre teve Covid-19 em maio de 2020, no auge da primeira fase da pandemia. Ao apresentar os primeiro sintomas, ele pensou que “iria tirar de letra, como se fosse uma gripe”.

Mas só no oitavo dia, após o resultado da tomografia, que o médico veio ter dimensão do que estava passando. “Fui internado na UTI por quase sete dias, fiz exercícios respiratórios importantes e, por muito pouco, acabei não entrando em falência respiratória e sendo entubado e precisando de respirador”, relata.

No início da pandemia o médico disse que não se sentiu encorajado para continuar trabalhando, inclusive, substituindo colegas que estavam sendo afastados por ser grupo de risco ou porque estavam contraindo a doença. Talvez, o que o médico não esperava é que um dia estaria como vítima dessa doença que já fez 3.939 vítimas fatais só na Paraíba.

O pediatra lembra que foi uma surpresa muito grande quando se infectou e que a insuficiência respiratória foi tão grave que não dava sequer para ter a sensação do medo.

“Era puramente instinto de sobrevivência, ficava muito apagado, recebendo altas concentrações de oxigênio, mas ainda com a cabeça funcionando porque eu pensava em medidas que precisavam ser tomadas. Foi uma luta pela vida que Deus me deu a graça de vencer com a ajuda de muitos colegas”, descreve.

Imunização – Alexandre de Almeida que lutou bravamente pela vida, para vencer a doença causada pelo coronavírus, e voltou às atividades no Hospital do Hapvida em João Pessoa, foi o primeiro profissional da unidade hospitalar a receber a vacina que combate a covid-19, na última quinta-feira (21).

Segundo a diretora médica da unidade, Geórgia Campos, Alexandre foi escolhido pelo histórico dele com a covid-19. Geórgia ressalta que o pediatra é um profissional que está desde o início da pandemia exercendo com afinco suas atividades médicas no Hospital, foi acometido pela doença de forma severa e após cura, retornou com a determinação de sempre no cuidado aos pacientes.

Além disso, transmitindo a toda equipe a gratidão pela vida, a coragem e a importância de lutar sempre, sendo um exemplo motivador. “Escolhê-lo como primeiro profissional do Hospital do Hapvida para tomar a vacina é uma forma de homenageá-lo pela braveza e dedicação à profissão”, explica.

Já para o médico, o sentimento de receber a vacina extrapola a emoção no âmbito pessoal porque ela acaba tendo um significado histórico, já que a geração viu a devastação de uma pandemia.

“É um sentido honroso de ter sido convidado a ser a primeira pessoa a ser vacinada no nosso serviço, além de ter um peso histórico. Foi uma emoção forte!”, afirma.

Alexandre ainda ressalta que “no enfrentamento de uma pandemia todo mundo é necessário, eu sabia que havia colegas passando por situações piores, voltei a trabalhar e graças a Deus estou vivendo esse momento de vacinação”, frisa.

Os profissionais que atuam na linha de frente no Hospital do Hapvida em João Pessoa receberam a vacina na quinta-feira (21) e nesta sexta-feira (22). A imunização dos profissionais de saúde do Hapvida integra a primeira fase do Plano Nacional de Imunização.

Foto: Ascom

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Conscientização – O profissional que nestes últimos 10 meses tem acompanhado de perto, como médico e vítima da Covid-19, deixa ainda uma mensagem para população. “Vacinem-se! É o tratamento mais específico contra essa doença, mais eficaz que temos até o momento e é a forma de tratar uma crise de saúde pública”, reforça.

Alexandre afirma que apesar da vacinação ser individual ela toma um sentido coletivo a partir de uma pandemia porque a minha proteção e a minha cura é a proteção e o cuidado com o outro.

“Apesar de ter tido a doença e ter anticorpos estou aqui dando o exemplo, recebendo a vacina e ampliando minha imunidade para me proteger dessa doença e também o meu próximo”, declara o médico que acrescenta: “Acho que a vacinação é um dom de Deus na humanidade nesse momento. Além de que uma vacina nunca foi produzida, comercializada e aplicada de forma tão rápida no mundo inteiro e isso é para ser valorizado e ser um empenho de todos”, enfatiza e finaliza.

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