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“O câncer não é o fim da linha”, afirma mulher diagnosticada com câncer de mama

Da Redação com Ascom. Publicado em 24 de outubro de 2020 às 20:00.

Foto: Ascom

“Ao receber o diagnóstico de câncer, o primeiro pensamento foi o de que iria morrer. Mas em seguida pensei que precisava viver, pois estava grávida”.

O depoimento é da psicóloga Talita Queiroga, que foi diagnosticada com câncer na mama esquerda 15 dias após descobrir que estava à espera da segunda filha.

Os casos de câncer de mama durante a gestação precisam ser orientados e acompanhados por uma equipe médica multidisciplinar, como explica a médica ginecologista e mastologista do Hospital do Hapvida em João Pessoa, Priscilla Moreira.

De acordo com a ginecologista, é necessário a realização de um trabalho conjunto entre um oncologista, mastologista, radioterapeuta e obstetra.

“Esse tipo de acompanhamento pré-natal é considerado de alto risco e deve ser monitorado continuamente com avaliação materno-fetal e desenvolvimento do feto. Toda mulher que se apresenta com massas palpáveis ou adensamentos persistentes na mama devem ser submetidas à investigação com biópsia”, orienta a médica.

Para Talita Queiroga, enfrentar um câncer de mama durante a gravidez não foi nada fácil, mas revela que o tratamento foi relativamente tranquilo.

“A gravidez não tinha intercorrências e cuidei muito do corpo para sofrer menos possível com os efeitos adversos da quimioterapia, bem como, garantir que minha bebê estaria bem”, diz ao revelar que durante a gestação retirou só o tumor na mama esquerda.

Apenas após o parto, a equipe médica multidisciplinar e a própria Talita optaram pela retirada das duas mamas, pois o tipo de tumor tinha uma chance alta de reaparecer.

“Eu preferi não arriscar. Quando minha bebê tinha cinco meses eu fiz a mastectomia e a reconstrução com silicone”, declara Talita.

A médica esclarece que as mulheres grávidas diagnosticadas com câncer de mama devem evitar a amamentação.

“A amamentação deve ser evitada devido o tratamento sistêmico do câncer de mama, que compreende na realização de sessões de quimioterapia ou hormonioterapia, e esses agentes são excretados pelo leite materno podendo afetar o recém-nascido”, explica.

Assim como explica a ginecologista e mastologista do Hapvida, a equipe que acompanhou Talita também não recomendava a amamentação.

“Fui informada desde o início que talvez não seria seguro e como eu tinha amamentado a primeira filha até os 25 meses, eu fui trabalhando minha cabeça para não amamentar a segunda”, relata.

Para a psicóloga, que hoje conta sua história para fortalecer outras mulheres que estão passando pelo que ela viveu, não amamentar a segunda filha “talvez tenha sido a parte mais difícil do tratamento”.

“Eu gostava muito de amamentar e tinha esse desejo. Apenas quando ela estava bem próxima de nascer, um médico disse que eu poderia arriscar amamentar já que era um desejo muito grande meu, então fiz isso só na primeira hora de vida dela”, compartilha com alegria.

Para as gestantes que passam pelo tratamento de câncer, Talita Queiroga pede que enxerguem o tratamento como algo bom.

“Não precisa ter medo, não há nada melhor do que ser curada. Nossos bebês são fortes e aguentam mais do que imaginam. Tudo vai dar certo”, declara a psicóloga que orienta: “Não esperem o mês da campanha para saber como seu corpo anda. Façam exames com frequência para descobrir o mais cedo possível e ter mais chance de cura”.

Talita conta ainda que após passar pelo tratamento do câncer ao tempo em que sua segunda filha era gerada o parto foi via vaginal, super rápido e sem necessidade de intervenções.

“Na verdade, eu acreditei na cura logo que fiz a cirurgia de retirada do tumor, porque a cirurgia é o que mais ajuda nesse processo. Fiz o tratamento para impedir que novos tumores aparecessem, então quando ela nasceu tudo já tinha terminado”, celebra e aconselha as mulheres que enfrentam o câncer de mama, seja durante uma gestação ou não.

“Tenha fé em você mesma, o câncer não é o fim da linha”, assegura.

Fertilidade x Câncer de mama – Talita diagnosticou o câncer de mama quando já estava grávida, mas existem mulheres que são diagnosticadas com este tipo de câncer antes de engravidar e, nesses casos, a ginecologista e mastologista do Hospital do Hapvida, Priscilla Moreira, esclarece que o tratamento pode impactar significativamente o perfil reprodutivo da mulher.

“O tratamento sistêmico apresenta o riso de interferir na função ovariana e, consequentemente, no processo de ovulação. Por isso, a importância da abordagem multidisciplinar, buscando tratamentos alternativos para mulheres que apresentam a doença em idade precoce e desejam engravidar futuramente”, explica.

Dados sobre câncer de mama – O câncer de mama, excluídos os tumores de pele não melanoma, é o mais incidente entre as mulheres. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam uma estimativa de 66.280 novos casos em todo país para este ano. Na Paraíba, serão 46,17 novos casos para cada 100 mil mulheres, totalizando 1.120 pessoas que devem descobrir a doença este ano.

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