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A jornada de uma escritora independente

Ascom. Publicado em 20 de outubro de 2020 às 23:37.

Foto: Ascom

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Um novo espaço para as vozes literárias de mulheres negras se abre no mercado editorial brasileiro. O livro ‘Que o nosso olhar não se acostume às ausências’, da escritora paraibana radicada em Brasília,  Waleska Barbosa, agora está no prelo da Arolê Cultural. O lançamento da nova edição, revista e ampliada, está previsto para o primeiro trimestre de 2021.

A autora é a mais nova contratada da editora paulistana, fundada há três anos pelo Babalorixá Diego de Óxossi. Com a aquisição, a Arolê, especializada em temas afro-religiosos, passa a ocupar um novo lugar no mercado, a partir da publicação de literatura de autoria de mulheres negras.

“É um presente para nós, para mim, para a Arolê. Muitas mulheres têm sua voz amplificada e expandida na voz de Waleska. O livro abre com chave de ouro o nosso ano de 2021, com a autora sendo a pioneira e mostrando um novo horizonte para que outras vozes negras sejam ouvidas”, afirma Diego.

O anúncio foi feito na Live ‘O Valor da Presença”, realizada no domingo, (11/10), no YouTube, em comemoração ao primeiro ano da obra. O evento teve como convidados, a prefaciadora do livro, Laura Castro, a apresentadora, Leila de Souza Teixeira e o ilustrador da capa, Sérgio Abajur.

Para debater o livro e ler alguns dos seus textos, estavam presentes as criadoras do Coletivo Escrevivências, Hellen Rodrigues e Zane do Nascimento, a mestre em literatura Simone Ricco, a socióloga Betânia Ramos Schröder e o próprio Diego, sob mediação da doutora em literatura pela Universidade de Brasília e apresentadora do programa Tirando de Letra, da UnB TV, Julliany Mucury.

Obra Surpreende o Público

Lançado em 2019, de forma independente, com tiragem (já esgotada) de 300 exemplares, o livro tem 234 páginas e 72 textos, entre crônicas e prosas poéticas, selecionados do acervo do blog  www.umpordiawb.com.br, lançado em 2017.

Cronista nata, Waleska aborda temas como racismo, feminicídio, maternidade, feminismo, feminismo negro, amor, desamor. E também capta momentos pueris, do dia a dia, com uma forma poética e muito peculiar de se colocar diante dos fatos, expressa pelo ritmo de sua escrita e pela maneira de pontuar as frases.

A obra surpreendeu o público, notadamente o feminino, por abordar temas caros às mulheres e, muitas vezes, silenciados. Em texto divulgado nas Redes Sociais, o cantor (e irmão da autora) Renan Barbosa afirma que o efeito do livro sobre os leitores talvez seja sua maior surpresa.

“Relatos emocionados, lágrimas, homenagens, declarações de amor e de gratidão brotam, a cada dia, dos que foram tocados pelo livro. Mulheres, homens, intelectuais, escritores, pessoas das mais variadas cores e jeitos têm expressado sua felicidade e sua emoção por terem sido arrebatados por aquelas crônicas”, enumera.

Outra entusiasta do resultado alcançado pela compilação, é Julliany Mucury. Ela acredita que Waleska é responsável por uma obra grandiosa e se configura como uma promessa da literatura contemporânea brasileira desde a sua estreia. “A autora traz tanto consigo, uma polifonia inédita até aqui, expressa com muita intensidade”.

Para Simone Ricco, Waleska Barbosa apresenta uma escrita que traz muito fortemente a questão da importância da palavra. “Um valor que a gente reverencia quando trabalha com a cultura de matriz africana”, diz.

Novos Rumos

De acordo com Waleska, o convite da Arolê chega quando o livro completa seu primeiro ano de uma trajetória marcada por eventos significativos para a literatura feita por mulheres negras.

A publicação esteve na Feira de Livros de Frankfurt, na Alemanha, fez parte da programação do Novembro Negro da Câmara dos Deputados, em Brasília. Foi lançada na Feira Literária de Campina Grande, inaugurou a Estante Preta da Banca da Conceição, e esteve na Feira Agroecológica da Ponta Norte, ambas em Brasília. Foi debatido, ainda, em roda de leitura no Rio de Janeiro. No período, ela conduziu também  oficinas de escrita e debates.

“Sinto-me completando uma jornada. Por ser uma autopublicação, exigiu muito de mim, no que chamo de trabalho de formiguinha. O livro foi chegando em muitos lugares e, principalmente, no coração de leitoras e leitores”.

O convite, conta, a deixou feliz e ao mesmo tempo assustada diante dos novos rumos. “Entendi que era o momento de colocar a filha-livro em outro colo para poder me concentrar em novas frentes. A minha expectativa é de que este olhar possa chegar a mais leitores e leitoras, com um fôlego que eu não teria com a venda mão a mão”.

Diego de Oxóssi, da Arolê, conta que conheceu Waleska na Feira de Frankfurt e desde então ficou de olho em seu trabalho, acompanhado pelas Redes Sociais e em conversas com a escritora ao longo do ano. “Ainda na Alemanha vi que Waleska era uma escritora. Estava pronta. E o título do livro trouxe uma sensação mágica. Ele é forte, potente, poderoso”, conclui.

Os textos do livro, sintetizados na crônica homônima, são um chamado para que maiorias ou grupos fora dos padrões normativos, que terminam tomados como minorias, sejam enxergados em seu direito de existir e na sua diversidade.

O fio condutor parte da identidade da autora como mulher negra, entendida e/ou reforçada, em função da escrita diária no blog. “O livro tem gênero. É feminino. É feminista. É mulher”, diz a orelha.

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