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Sexta-feira Santa em Roma: “Deus é nosso aliado, não do vírus!”

Da Redação com Ascom. Publicado em 10 de abril de 2020 às 18:11.

Foto: Ascom

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“Eu tenho um desígnio de paz, não de sofrimento.”

Este foi o tema da pregação do frei Raniero Cantalamessa, desta Sexta-feira da Paixão do Senhor (10/04), durante a Liturgia da Paixão e da Adoração da Cruz, na Basílica de São Pedro, em Roma.

“A cruz é melhor compreendida pelos seus efeitos do que pelas suas causas. E quais foram os efeitos da morte de Cristo? Justificados pela fé nele, reconciliados e em paz com Deus, repletos de esperança de uma vida eterna”, disse o pregador da Casa Pontifícia.

Referindo-se à situação causada pela pandemia de coronavírus, o frei capuchinho ressaltou que “há um efeito que a situação em andamento nos ajuda a colher em particular. A cruz de Cristo mudou o sentido da dor e do sofrimento humano. De todo sofrimento, físico e moral.

Ela não é mais um castigo, uma maldição. Foi redimida pela raiz, quando o Filho de Deus a tomou sobre si. E não só a dor de quem tem fé, mas toda dor humana. Ele morreu por todos. ´Quando eu for elevado da terra´, disse Jesus, “atrairei todos a mim”. Todos, não somente alguns!´”

“Sofrer, escrevia São João Paulo II do seu leito no hospital após o atentado, significa tornar-se particularmente receptivo, particularmente aberto à ação das forças salvíficas de Deus, oferecidas em Cristo à humanidade”.

“Graças à cruz de Cristo, o sofrimento se tornou também ele, à sua maneira, uma espécie de ´sacramento universal de salvação´ para o gênero humano”, recordou o frei as papas do papa que já se foi.

A seguir, Cantalamessa perguntou: “Qual é a luz que tudo isso lança sobre a situação dramática que a humanidade está vivendo?”

“Também aqui, mais do que para as causas, devemos olhar para os efeitos. Não apenas os negativos, dos quais ouvimos todo dia as tristes manchetes, mas também os positivos, que somente uma observação mais atenta nos ajuda a colher.”

“A pandemia de coronavírus nos despertou bruscamente do perigo maior que sempre correram os indivíduos e a humanidade, o do delírio de onipotência.”

“Bastou o menor e mais informe elemento da natureza, um vírus, para nos recordar que somos mortais, que o poderio militar e a tecnologia não bastam para nos salvar.”

“Não dura muito o homem rico e poderoso”, diz um salmo da Bíblia, “é semelhante ao gado gordo que se abate”. E é verdade!”

“Deus é nosso aliado, não do vírus! Se esses flagelos fossem castigos de Deus, não seria explicado por que eles caem igualmente nos bons e nos maus, e por que geralmente são os pobres que têm as maiores consequências. Eles seriam mais pecadores que outros?”

“Aquele que chorou um dia pela morte de Lázaro chora hoje pelo flagelo que caiu sobre a humanidade. Sim, Deus “sofre”, como todo pai e toda mãe. Quando descobrirmos um dia isso, teremos vergonha de todas as acusações que fizemos contra ele na vida. Deus participa da nossa dor para superá-la.

O frei capuchino prosseguiu: “Outro fruto positivo da presente crise de saúde é o sentimento de solidariedade. Quando foi, desde que há memória, que os homens de todas as nações se sentiram tão unidos, tão iguais, tão pouco contenciosos, como neste momento de dor?”

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