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Polícia investiga golpe no Complexo Aluízio Campos

Da Redação*. Publicado em 9 de março de 2020 às 22:02.

Foto: Reprodução/ TV Paraíba

Foto: Reprodução/ TV Paraíba

Dayvison se inscreveu no processo para ganhar uma das casas do Complexo Aluízio Campos. Ele ficou sabendo pela mãe sobre uma pessoa que poderia colocar o nome dele entre os contemplados.

– Minha mãe, comentando com ela: meu filho se inscreveu nas casas do Aluízio Campos e tá esperando – porque como era sorteio, a gente tinha que esperar – e ai essa pessoa disse pra minha mãe que conseguiria ajeitar para o meu nome ir para o começo da lista, e ai minha mãe falando com ela, ela disse, oh, a gente consegue ajeitar só precisa de um determinado valor que é para dar a um pessoal da Seplan, um valor de 3 mil e 500 reais se a casa for de esquina e 3 mil reais se a casa for do meio, e essas casas forem conjugadas – disse o motorista de aplicativo Dayvison Pereira.

O motorista vendeu uma moto que tinha para conseguir o dinheiro, na esperança de sair do aluguel.

– Eu assinei 63 folhas de um contrato, com meu nome, com endereço da minha mãe, com valores de prestação informando que durante 10 anos eu iria pagar um valor de 91 reais e 19 centavos, no valor dessa casa; assinei 63 folhas de um contrato, fiz biometria em um dos computadores do banco e ai, que ela levou para o escritório de contabilidade e informou que esse computador era do banco, era vinculado direto com o Banco do Brasil, e ai eu fiz biometria, tirei foto, fiz todo o procedimento que até então qualquer pessoa que fosse sorteado estaria fazendo – contou.

Um outro homem tentou adquirir duas casas no Complexo.

– Me cobraram o valor de quatro mil, numa casa simples, e cinco mil uma casa de esquina. Eu, no entanto, paguei nove mil reais em duas casas, e elas me prometeram que no dia 11 de novembro ia sair essa casa. Só que foi adiado para o dia 29. Chegando ao dia 29 quando a gente tentou entrar em contato com elas, não respondi mais no WhatsApp, não recebia mais ligações e sumiram da cidade – disse.

Ele também confirma que encontrou com uma mulher que se passava por funcionário do banco responsável pelos contratos e com a suposta funcionária da Secretaria de Planejamento de Campina Grande.

– Ela se apresentou como funcionária da prefeitura, fazia parte da Seplan, e como quem toma de conta dessas casas, das entregas, fez todo o processo, foi a Seplan, a gente até então confiou. É tanto que quando chegamos na Seplan atrás dela, ela não tava lá. Já houve o comentário que ele não é funcionária da Seplan, mas a gente já foi buscar com outras pessoas que trabalham na prefeitura e disse que ela existe, ela só não é concursada – comentou.

A reportagem foi até a casa de uma das pessoas que estaria negociando as inscrições para o Conjunto Habitacional.

Algumas vítimas disseram que várias reuniões foram realizadas na casa da contadora que seria uma das facilitadoras no processo de aquisição de casas do Complexo Aluízio Campos.

Desde a última sexta-feira quando começaram a surgir as primeiras denúncias do possível golpe, ela não foi mais vista na residência.

A reportagem também tentou ligar para a contadora, mas não conseguiu contato.

Um vídeo gravado na reunião da última sexta-feira. Dezenas de pessoas que pagaram para conseguir uma das moradias do Complexo participaram.

– Em torno de 50 pessoas, agora isso tinha que gente que disse que tinha comprado duas casas num valor de 9 mil, tinha gente dizendo que comprou as lojas do polo que está para ser aberta no valor de 16 mil reais, tinha gente dizendo que deu valor de 10, então ou seja pelo o que a gente estava fazendo as contas, eu e um amigo meu que também fomos lesados, a gente estima em média de 500 mil – destacou Deyvison.

As vítimas foram até a Central de Polícia em Campina Grande para registrar um boletim de ocorrência; e a Secretaria de Planejamento abriu uma sindicância para apurar a situação.

– Não existe essa servidora, na verdade foi um golpe. As pessoas estão usando o nome de Maísa dizendo que é uma servidora da Seplan, e, na verdade, não existe essa servidora aqui – esclareceu o secretário de Planejamento Tovar Correia Lima.

Ele explicou ainda que a Seplan abriu uma sindicância para apurar todos os fatos.

– Nós vamos hoje à tarde à Polícia Civil, à Polícia Federal e no Ministério Público Federal fazer as denúncias com todos os áudios, vídeos, prints, os nomes das pessoas que estão envolvidas, mas lembrando sempre que é fora, é externo à Seplan. Na verdade, aqui na secretaria de Planejamento não há ninguém que esteja participando desse tipo de golpe – disse.

O secretário comentou também que há o polo positivo e o polo negativo.

– Nós temos as pessoas que participaram do golpe, anunciaram o golpe, pedindo esse dinheiro. Nós temos as pessoas que pagaram esses recursos: 2 mil, 3 mil, 4 mil reais. Na verdade, tudo objeto de um golpe. E a gente está investigando através da Polícia Civil, dos órgãos de controle, para que tudo seja apurado, até que se restabeleça a verdade – afirmou.

– Mas é bom fique bem claro que a Secretaria de Planejamento nada tem como esse golpe, muito pelo contrário, nós fizemos o controle das 4 mil e 100 unidades habitacionais que foram sorteadas e que estão dentro da Seplan sendo controlados e entregue seus contratos ocupando suas casas e essa história de venda e compra de casa é golpe – prosseguiu.

– A semana passada nós fomos inclusive ao Ministério Público Federal para apresentar 31 pessoas que nós não estamos conseguindo contato, ou seja são pessoas que estão o contrato na secretaria de Planejamento e que ainda não conseguimos encontrar, então portanto depois de anunciadas essas 31 pessoas, as pessoas que foram lesadas, que não viram seus nomes infelizmente começaram a vir à tona, a procurar essa relação toda – concluiu.

*com informações da TV Paraíba

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