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“Os depoimentos que vi foram induzidos”, diz RC sobre delações de Daniel e Livânia

Da Redação. Publicado em 13 de março de 2020 às 15:50.

Foto: Paraibaonline

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O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) comentou, em entrevista a uma emissora de rádio de João Pessoa, sobre as delações de Daniel Gomes da Silva, ex-representante da Cruz Vermelha, e negou as acusações apresentadas durante a colaboração premiada do empresário ao Ministério Público da Paraíba (MPPB).

Segundo Ricardo, há três gravações em que Daniel o cita.

– Uma que diz respeito a uma oferta de ajuda financeira para a eleição de 2018. Nem candidato eu fui e eu disse que procurasse pessoas que pudessem recepcionar isso, porque era uma ajuda para campanha. Mas, eu não era candidato e não tinha nenhum interesse. Ninguém nunca me deu nenhum centavo e nem vai me dar – ponderou.

Ricardo afirmou também que não recebeu o dinheiro da oferta de Daniel Gomes.

– A Paraíba tem milhares de empresários. Governei João Pessoa e o Estado e desafio qualquer empresário, e pode ampliar as investigações, não fique só na Calvário não, que diga que eu extorqui um centavo sequer de quem quer que seja. A primeira gravação é dessa oferta, mas ele não passa essa parte, ou não gravou, porque ele estava direcionado a isso e estava induzindo os diálogos. Ele falava muito baixo e eu, particularmente, tenho uma baixa audição e não compreendia algumas coisas. Mas, efetivamente tem uma oferta e eu direcionei a outra pessoa que não era eu. Não arrecado dinheiro e não converso sobre isso – explanou.

As demais gravações, conforme Ricardo, dizem respeito à sociedade do Laboratório Industrial Farmacêutico do Estado da Paraíba (Lifesa), que, segundo ele, é falsa, bem como o recebimento de uma suposta mesada.

– É falsa [a sociedade do Lifesa]. Nicolau Maquiavel disse que “o prazer é dobrado quando você engana o enganador” – afirmou.

Esse cidadão era representante da Cruz Vermelha e eu tinha que falar com ele. Essa mesada é mentira, um absurdo. Eu lá tenho mesada de canto nenhum! Sou um cara correto.

Ricardo continuou:

– É mentira quando disse que fui para o Carnaval, quando o Fantástico mostrou meu retrato lá. É mentira, nunca fui no Carnaval. Disseram que eu fui pra Búzios, e eu não conheço Búzios. Disse que eu fui no Rock in Rio e eu nunca fui. Eu não pedi ingressos, eu disse que iria, é diferente. As pessoas são induzidas por essa grande armação que fizeram – reprovou.

O ex-gestor ainda criticou o que chamou de “rede de blogs”, que segundo ele propagam acusações sem provas e criam “falsas verdades”.

– É isso em que o Brasil se transformou, acusam pessoas e assassinam-se reputações. E, efetivamente, quando você olha, cadê a prova? Isso começou a ser impulsionado, infelizmente, com a participação de promotores, não é do Ministério Público, mas de promotores. Isso era distribuído numa rede inicial de blogs sem nenhum conceito e pessoas impulsionavam essas mentiras para grupos de WhastApp no meio desse Estado, e do Brasil, e criava-se essa falsa verdade, uma verdade que é mentira – explanou.

Em relação à delação da ex-secretária Livânia Farias, sobre o recebimento de dinheiro em caixas, Ricardo negou e afirmou que os depoimentos foram induzidos.

– Cadê uma única prova sobre isso? Zé Ramalho já cantava “na tortura toda carne se trai”. A pessoa estar presa, por si só, é uma tortura. Eu não tenho a menor dúvida de que os depoimentos que eu vi foram induzidos, porque se não falassem sobre mim, não teriam a liberdade. Isso é obvio e está claro hoje. Como pode tanta acusação não ter uma prova? A parte do Daniel, daqui há alguns anos, quando essa história for contada de verdade, você vai ver uma primeira verdade, que isso foi preparado há uns dois anos atrás e os alvos eram algumas pessoas, incluindo eu. Por quê? Porque eu lutei contra o impeachment, porque eu tinha posição, diferentemente de políticos que não tem posição de nada. Eu fui visitar, por duas vezes, o senhor presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba, eu trouxe a presidente Dilma aqui dentro do Espaço Cultural, numa grande manifestação para dizer que tínhamos um lado […] Então, eu quero saber: cadê as provas disso e cadê esse dinheiro? – questionou.

Coutinho ainda justificou o seu silêncio, desde o mês de dezembro, quando da eclosão da sétima fase da Operação Calvário, até agora frisando que o real motivo foi para a que a Justiça não tomasse o depoimento dele como uma tentativa de obstrução da investigação.

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