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Colunista: quando o apoio às reivindicações perde o apoio das ruas

Da Redação*. Publicado em 20 de fevereiro de 2020 às 21:14.

Foto: Clube dos Oficiais

Foto: Clube dos Oficiais

Na edição desta quinta-feira (20) da APARTE, o colunista Arimatéa Souza comenta sobre a confrontação entre policiais e o Governo da Paraíba acerca de demandas de natureza salarial.

Leia trechos:

Não me sinto capacitado para debater e comentar acerca das demandas salariais do aparato policial junto ao Governo da Paraíba.

Mas havia um ´encontro marcado´ entre a chamada ´Bolsa de Desempenho´ instituída no governo Ricardo Coutinho e a totalidade desse segmento do funcionalismo.

A dita Bolsa – só situando para quem não a conhece – beneficia tão somente os policiais que estão na ativa, e mesmo assim com vantagens que não são incorporadas ao salário-base, o que causará prejuízo quando do ingresso na inatividade.

Num primeiro momento, o pessoal da ativa assimilou muito bem o incremento financeiro temporário, até porque no curto prazo os contracheques (para os beneficiários) tiveram uma expressiva elevação.

O impasse nas negociações até ontem à tarde comportava um fosso imenso.

A proposta governamental acenava com a incorporação aos vencimentos da ´Bolsa´ em até 60 meses, como também um reajuste de 5% em outubro vindouro.

A pressão da singular categoria era para a incorporação da ´Bolsa´ em até 36 meses, e um reajuste de 24% ao longo dos próximos dois anos.

Apesar de ser considerada uma mobilização ilegal, como se observará mais adiante, é assimilável aos olhos do cidadão comum a articulação dos policiais por melhorias funcionais.

O que é lamentável é o calendário que foi fixado pelos manifestantes, culminando com uma paralisação no dia de ontem, quando ocorre a maior festa carnavalesca do Estado – o desfile do bloco Muriçocas do Miramar, em João Pessoa.

Além disso, houve a anônima propagação, ao longo do dia, dando conta de que a festa não teria policiamento, o que inevitavelmente elevou o grau de tensão na cidade e estimulou o não comparecimento ao evento.

Mas o pior ainda estava por vir. Ao cair da tarde, a movimentação foi no sentido de evitar que as viaturas policiais deixassem os quarteis e outros espaços da Secretaria de Segurança Pública para atuar na festa já referida.

É nessa circunstância que ocorre a bifurcação entre os interesses corporativistas e os da sociedade.

As demandas classistas não podem ser absorvidas, aceitas e compreendidas nessa dimensão.

Parte mais frágil e obliquamente envolvida nessa queda-de-braço entre governo e policiais, o cidadão comum merece respeito e deve ser poupado e preservado num dos raros anuais momentos de confraternização e alegria em artérias públicas.

Agendar uma mobilização dessa magnitude justamente no dia do desfile do ´Muriçocas´ é um ato deplorável, inconsequente e que semeia o risco do imponderável e do trágico.

Não é ignorando o interesse público nem secundarizando a sua proteção inarredável do cidadão que qualquer categoria conquistará o respeito e o apoio às demandas suscitadas, mesmo que legítimas em sua essência.

O povo, que em sua maioria igualmente veste o figurino do contribuinte, deve ser levado em conta prioritariamente.

Para ler a coluna inteira, acesse aqui:
https://paraibaonline.com.br/aparte/a-resiliencia-do-mppb/

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