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Presidente Bolsonaro quer acabar com a TV Escola: “deseduca”

Da Redação. Publicado em 16 de dezembro de 2019 às 21:39.

Antonio Cruz/ Agência Brasil

Antonio Cruz/ Agência Brasil

TALITA FERNANDES E PAULO SALDAÑA

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu o cancelamento de contrato do Ministério da Educação com a TV Escola. Na visão dele, os programas transmitidos pelo canal eram todos de esquerda e seguindo os pensamentos do educador Paulo Freire, a quem se referiu como energúmeno.

“Você conhece a programação da TV Escola? Deseduca. Por que a educação do Brasil está lá embaixo? Por causa dessas programações. Agora o pessoal está criticando. Esse tipo de cultura é para acabar mesmo. Queriam renovar o contrato… R$ 350 milhões iam ser jogados no lixo”, afirmou ao sair do Palácio da Alvorada nesta segunda-feira (16).

O presidente entrou no assunto do cancelamento do contrato após ser questionado por uma apoiadora que o aguardava na porta do Alvorada.

Embora Bolsonaro tenha falado em custo de R$ 350 milhões, a expectativa era de que o novo contrato de gestão com a Roquette Pinto em 2020 ficasse em torno de R$ 70 milhões, valor similar ao orçamento deste ano.

“E outra, era uma programação totalmente de esquerda. Ideologia de gênero. Tem que mudar. Daqui 5, 10 anos vai ter reflexo disso aí. 30 anos em cima dessa ideologia aí desse Paulo Freire, desse energúmeno aí que foi ídolo da esquerda”, afirmou.

O governo Bolsonaro decidiu não renovar o contrato de gestão com a Associação Roquette Pinto, que gerencia a TV Escola.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, determinou um despejo da TV Escola das dependências do MEC (Ministério da Educação).

Não há certeza sobre a continuidade do canal. Segundo a reportagem apurou, Weintraub e o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, tentaram indicar pessoas para a associação e influenciar os rumos na TV.
A alta cúpula da Associação Roquette Pinto avalia que a atitude do governo é uma retaliação porque as indicações não foram acolhidas.

Na semana, a emissora passou a transmitir uma série sobre a história do Brasil com visão revisionista, ideológica de direita e conservadora, com entrevistas do escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo.

“Queriam que eu assinasse o contrato, o Abraham Weintraub, de R$ 350 milhões. Quem assiste a TV Escola? Ninguém assiste, dinheiro jogado fora”, disse Bolsonaro.

O presidente disse que o dinheiro poderia ser usado para outros programas e citou a TV INES, voltada a surdos. A produção de conteúdo desse canal, vinculado ao Ines (Instituto Nacional de Educação de Surdos), já era feita pela Associação Roquette Pinto.

“Não é porque a primeira-dama trabalhava com isso. Eu estou tentando melhorar um pouquinho essa parte. Eu acho que são 5 milhões de pessoas com problemas auditivos e de fala. Isso da 2,5% da população. Vamos passar de 1% para 2,5%.”

​Bolsonaro associou a TV Escola a indicadores de educação do Brasil e citou resultado de 2018 do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, na sigla em inglês). O programa avalia o conhecimento em leitura, matemática e ciência de estudantes de 15 anos, em 79 países.

Os dados de 2018, divulgados na semana passada, mostram uma estagnação no desempenho do Brasil por quase uma década.

Apesar do resultado ruim, a previsão do ministro Abraham Weintraub (Educação), de que o país ficaria em último lugar entre os da América do Sul acabou por não se concretizar.

Ao fazer a afirmação há duas semanas, ele não deixou claro se estava adiantando os resultados. “Estou supondo com base em números robustos”, disse.

Com exceção do ranking de ciências, em que aparece empatado com Argentina e Peru, o Brasil está ligeiramente à frente da Argentina em matemática e de Argentina, Colômbia e Peru em leitura.
Ainda na entrevista, o presidente disse que “não está prevista” a saída de Weintraub do MEC.

Nos bastidores do governo, o nome dele é dado como certo entre os ministros que serão trocados logo no início de 2020.

“Não está previsto mudar. E se perguntasse se está previsto me separar da minha mulher? Não está previsto, vocês vão escrever: ‘olha, talvez ele mude, mas não está previsto’. De acordo com as críticas que eles sofrem, por exemplo, o Weintraub, de acordo com os jornalistas que o criticaram, eu falei: ‘Weintraub, você não sai mais daí [do MEC]. Miriam Leitão, [Ricardo] Noblat criticando o Weintraub, é sinal que ele está funcionando.”

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