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Jornalista Geovaldo de Carvalho: “Adeus, Nezinho!”

Da Redação. Publicado em 1 de dezembro de 2019 às 14:43.

Paraíba Online • Jornalista Geovaldo de Carvalho: "Adeus, Nezinho!"

Há uma semana, vozes se unem no lamento pela perda do meu amigo William Monteiro, que mergulhou ao eterno para mais próxima convivência com Deus.

Os deuses simplesmente, por motivos de interesses divinos, sempre inconfessos para nós, ignoraram toda corrente de oração e fé que se estabeleceu na angustiante fase que precedeu o óbito, decretando o fim da existência física de quem, em vida, fez por merecê-la.

Já dizia Otto Lara Resende que depois de certa idade, nossas amizades tornam-se alameda de cruzes. E a minha tem avançado célere e dolorosamente, afogando-me em pranto e saudades.

Não foi uma morte qualquer a de William Monteiro de Lima, seu “Nezinho”, para os íntimos; foi um genocídio! Com ele foi-se parte considerável de uma geração de profissionais comprometidos com a verdade e a qualidade de seu mister, em um meio que hoje equivale a um paraíso povoado de perdidos fantasmas em busca dos proveitos das sombras.

Trabalhamos anos em mesas ao lado, no velho Diário da Borborema, onde ele começou namorar com sua esposa, “Corrinha”, uma pessoa calma, serena.

No DB enfrentamos grandes batalhas em defesa da cidade e da segurança, onde reinavam Sindicatos do Crime, os Mãos Brancas da vida e sádicos assassinos armados de ilustres sobrenomes, acobertados de imunidade oficializada pelo temor.

Pelas nossas mãos passou uma legião de jornalistas, iniciados em testes e forjados no dia-a-dia dos ensinamentos da redação do DB. A esses, ensinamos como fazer jornalismo, não obstante, tem quem tenha entendido “fazer-se no jornalismo”.

Foram lutas e vitórias, com consequente reconhecimento diversos da sociedade organizada.

Para a Gazeta do Sertão, fundada por Edvaldo do Ò, da qual eu fui editor por alguns anos, ele é quem iria. De última hora desistiu e me aconselhou a ir, dizendo que seria um jornal em defesa de Campina. E foi enquanto existiu como diário!

Acho que um ano depois foi trabalhar com Edvaldo do Ó, mas o secretariando, e limitando-se a escrever um artigo para o jornal. Como sempre, discreto e eficiente, sem deixar de ser antenado.

Paulista de nascimento, foi um dos maiores e ardorosos defensores de Campina Grande. Foi o meu iniciador no amor e defesa da Rainha da Borborema. Me apontou as histórias e os vultos importantes da cidade.

Eu, vindo de Recife, achava graça dos exageros. E “Nezinho”, tanto gostava de tomar remédio como de exageros. Para dizer que o cara era alto, dizia que a criatura “dava duas torres de transmissão da Chesf”, por exemplo.

Quando bebia, nos preocupava um pouco. E o trio – Eu, ele e Itamar – bebia bem. Até que um dia, anunciou o rompimento com o hábito.

Caímos em gargalhada! Isso foi há mais de 35 anos. E cumpriu o que disse, para perplexidade geral.

As circunstâncias da vida nos afastaram e, mesmo nos comunicando por telefone e zap sobre vários assuntos, ultimamente so o encontrava em Manoel da Carne de Sol, conversando com Arimatéa Souza, um dos seus grandes amigos e confidentes.

Num dos nossos encontros, abraço-me quase em pranto para se desculpar pelo fato de não ter ido ao funeral de um filho meu, morto em acidente de trânsito. Quis o destino que no mesmo dia, uma de suas filhas estivesse casando. Apenas lhe disse, abraçando:

– A vida é assim amigo; uns vão, outros vêm, e cabe a nós estarmos presentes nos momentos de cada um. Estávamos apenas fazendo nossa parte.

Nos últimos anos, ligados a Cássio, não era somente um assessor. Era a amigo-irmão e confidente, em todas as horas e circunstâncias. Aliás, lealdade aos amigos é característica dois.

Poderia gastar laudas falando desse amigo que a morte nos privou. Legarei às memórias.

No entanto, pelas lições de altivez e dignidade na profissão, que dele recebi; pela nossa amizade de mais de 40 anos sem nenhum atrito, devo-lhe esta evocação que emana do coração em forma respeito, inconformismo e saudade.

Você em vida fez a sua parte. E que sua família querida se orgulhe dela!

Descanse em paz, meu irmão! Avise a Itamar que estou chegando em breve!

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