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Jornalista e acadêmico Geovaldo de Carvalho: “Os 90 anos de Chico Maria”

Da Redação. Publicado em 17 de dezembro de 2019 às 22:54.

Paraíba Online • Jornalista e acadêmico Geovaldo de Carvalho: "Os 90 anos de Chico Maria"

Foto: Divulgação

O tempo, no exercício de sua inexorabilidade, avança célere espalhando seus efeitos sobre o efêmero.

Hoje, meu amigo Francisco Maria Filho chega aos 90 anos, a um passo de século, o que certamente irá completá-lo.

Uma figura que Campina Grande admira e reverencia pela participação marcante na vida da cidade; quer como advogado, escritor, cronista e, sobretudo, o entrevistador implacável que marcou época com o seu “Confidencial” na TV Borborema.

Ah, quantas passagens nos remontam a uma convivência de cerca de 40 anos! Trabalhando juntos na Prefeitura com Ronaldo Cunha Limado, do qual era secretário de Comunicação. Na árdua campanha de 1982, onde tentou ser vereador.

Nos almoços aos sábados com Edvaldo do Ó; da cervejinha no Beco do 31, Magestic ou Chopp do Alemão, com muitos colegas que já se foram, como William Tejo, Geraldo Dias, Hélio Soares, Valdeci Vilarim, dentre outros que ficaram ao longa da estrada da vida.

Mas Chico Maria continua firme; um pouco recluso, é verdade, por precaução familiar, mas nos dando a graça de sua convivência de nove décadas.

Como cronista, foi insuperável na cidade. Um poder de síntese incomum.

Com uma boa formação humanista, seus textos sempre conduzidos com a maestria lírica dos poetas, porém, sem perder a capacidade analítica de quem se aproxima da ciência, aliado a um toque de ironia, deleitam seus leitores, o que ainda hoje podem ser visto nos livros publicados.

Como entrevistador, no “Confidencial”, sempre com uma postura inquisitorial sem ser agressivo, de modo a extrair o que houvesse de melhor no entrevistado.

Pelas entrevistas passaram figuras marcantes da vida brasileira, como Dom Helder Câmara, Marcos Freire, Pelé, Ulysses Guimarães, Hélio Bicudo, Hélio Fernandes, irmão de Millôr Fernandes.

Hélio Fernandes, por sinal, não acreditou que o programa era ao vivo e sem censura. Ele, com várias prisões no período da ditadura, estava proibido de aparecer na televisão. Surpreendeu-se com o resultado!

Tanto que, em 1994, quando fui recepcionar Chico Maria na Academia de Letras de Campina Grande, Hélio me enviou uma carta para ser lida, dando o testemunho do talento do novel acadêmico, um documento histórico, que pode ser encontrado no livro “Confidencial Entrevistas”, o último lançado por Chico.

Ao recebê-lo na Academia, na época, enfoquei que seu livro “Crônicas” era um pote de poesias recoberto por prosas leves e magnetizantes, onde qualquer iniciado com aspiração literária deve tê-lo como cartilha de reflexão.

É, meu amigo Chico… tantos anos se passaram, mas, agora que você chega aos 90, é imperioso repassar fatos, evocar lembranças, de modo a que os feitos de ilustres personagens de nosso cenário não esvoacem na ignorância dos coevos.

Parabéns, poeta, pelos seus 90 anos! Obrigado por você existir!

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