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Operação Famintos: Empresários relatam como ocorriam fraudes

Da Redação*. Publicado em 31 de outubro de 2019 às 12:14.

A fase de instrução do processo da ‘Operação Famintos’, que investiga fraudes em licitações e desvio na merenda escolar em Campina Grande, foi marcada por várias audiências na 4ª Vara da Justiça Federal.

Ao serem interrogados em juízo, os empresários investigados no processo relataram como aconteciam as fraudes.

Alguns deles revelaram como as empresas de fachada atuavam, além do pagamento de “propina” para não haver outros concorrentes nas licitações.

Foto: Ascom

Foto: Ascom

O empresário Frederico de Brito Lira, em depoimento, relatou que terceirizou as empresas Delmira Feliciano Gomes e Rosildo de Lima Silva, que possuíam contratos com algumas prefeituras da Paraíba para o fornecimento de merenda escolar.

Frederico contou que era responsável pela logística da distribuição da merenda e que o empresário Flávio Souza Maia tomava conta das licitações e dos documentos.

Ele também relatou que o grupo chegou a realizar pagamentos para pessoas que tentavam dificultar as licitações, como uma espécie de ‘propina’.

“Durante esses noventa dias de cárcere fiz uma profilaxia espiritual e mental. Encerrei as minhas atividades. Vou buscar qualquer outra atividade, menos vínculo com órgão público. Nós tínhamos que lançar mão ou valor para algumas pessoas, ou representantes de algumas empresas. Isso de fato aconteceu. Não é que tivesse superfaturamento do valor. Se deparava com concorrente que tinha poder de concorrência no mesmo patamar, ele chamava e aferia algum valor financeiro a essa pessoa. Flávio (Flávio Souza Maia) conversava pessoalmente com essas pessoas. Cinco, seis, sete pessoas que ele me enumerava, no qual tínhamos que desprender o valor”, revelou.

O empresário Flávio Souza Maia, disse, em depoimento, que recebia ordens de Frederico e que ficava responsável, junto com outros funcionários, dos documentos para os processos licitatórios que tinham as empresas do grupo como concorrentes.

Ao ser questionado pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre como ocorriam os acordos entre o grupo empresarial, Flávio confirmou que o intuito era repartir a distribuição da merenda escolar entre as empresas.

“Essa reunião aconteceu no restaurante, quando estávamos presentes eu, Bilão, Macarrão, mais dois que estão no processo e Pablo. Seu Bilão tinha ganhado uma licitação de 144 escolas, e seu Fred queria entrar nessas escolas também. E todos aceitaram que Fred ficasse com 15 escolas para vender”, afirmou em seu interrogatório. Tanto Flávio Maia como Frederico de Brito Lira foram denunciados pelo MPF por envolvimento no suposto esquema de fraudes. Além deles, outros 14 também são réus no mesmo processo.

*Informações do jponline

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