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Lava Jato: empresa suspeita de atuar em ‘clube’ de empreiteiras é alvo

Folhapress. Publicado em 23 de outubro de 2019 às 10:30.

Foto: Ascom

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CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (23) a 67ª fase da Operação Lava Jato, que tem como alvo principal o Grupo Techint, empresa ítalo-argentina com subsidiárias no Brasil.

Estão sendo cumpridos 23 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Os suspeitos também tiveram os bens bloqueados pela Justiça Federal, na ordem de R$ 1,7 bilhão.

Segundo as investigações, a Techint integrava o conhecido “clube” de empreiteiras que se revezavam para obter licitações com a Petrobras, esquema que foi desvendado pela Lava Jato. Para isso, teria repassado propina a ex-diretores da Petrobras, como a Renato Duque.

A investigação também abrange outros ex-funcionários da estatal e duas empresas de consultoria, que teriam fornecido contratos fictícios para dar aparência legal ao repasse de verbas.

A operação, denominada Tango & Cash, remete, segundo a PF, aos valores de propinas e ao fato de que a empresa envolvida na investigação pertence a um grupo ítalo-argentino.

As obras que teriam integrado o pacote de propinas são a Refinaria Landulpho Alves, na Bahia, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, e o Gasduc 3, também no Rio, todas construídas em parceria com outras empresas, como a Odebrecht. O total desses contratos soma R$ 3,3 bilhões.

Foram encontrados, segundo o Ministério Público Federal, documentos no setor de propinas da Odebrecht que comprovariam autorizações de pagamentos de US$ 1,2 milhão (R$ 4,9 milhões), entre 2009 e 2010, ao diretor da Techint no Brasil, Ricardo Ourique Marques.

Apenas para Renato Duque, a empresa teria repassado US$ 12 milhões (R$ 49 milhões), entre 2008 e 2013. Os contratos da diretoria que ele ocupava com a subsidiária de equipamentos da Techint somavam R$ 3 bilhões.

Inicialmente, as operações seriam feitas por meio de contas bancárias em nome de offshores na Suíça. A partir de 2009, segundo as investigações, as transações teriam o operador de Duque, João Antonio Bernardi Filho, como intermediário.

Um dos executivos da Techint, Benjamin Sodré Netto, também atuou no esquema, segundo o MPF. Entre as provas apontadas pelas investigações, estão registros de 352 ligações telefônicas entre Sodré e Bernardi, entre 2011 e 2013.

Os investigadores querem esclarecer ainda pagamentos feitos pela Techint ao também ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada. Só em 2012, ele teria recebido 539 mil francos suíços (R$ 2,2 milhões) em contas em nomes de offshores.

O ex-gerente-geral da diretoria de abastecimento da Petrobras, Fernando Barros, também é alvo de buscas. De acordo com informações obtidas por meio de cooperação internacional com a Suíça, ele teria US$ 3,25 milhões (R$ 13,3 milhões) em contas no país. O dinheiro foi bloqueado.

Barros também teria sido apontado pela empreiteira Camargo Corrêa como destino final de R$ 2,3 milhões em propinas vinculadas a obras na Refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária (PR).

A maior parte dos mandados está sendo cumprida no Rio de Janeiro, com 14 ocorrências na capital, Petrópolis, Niterói e Angra dos Reis. São Paulo, Campinas e Barueri são cidades de outros oito mandados. Matinhos, no litoral do Paraná, também possui uma ocorrência de busca e apreensão.

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