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Campo usa mais tecnologia e aumenta produtividade, aponta IBGE

Da redação com Folhapress. Publicado em 27 de outubro de 2019 às 10:17.

RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O uso de tecnologia cresceu no campo nos últimos 11 anos, o que levou a um aumento significativo de produtividade em diversos setores agropecuários. É o que mostra o Censo Agro divulgado no final de semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com dados de 2017.

De 2006, quando foi feito o Censo Agro anterior, até 2017, cresceram o uso tanto de maquinários quanto o de tecnologias como irrigação e plantio direto.

A evolução das técnicas e o uso de implementos agrícolas ajudaram a aumentar a produtividade agropecuária do país.

Os agricultores passaram a produzir, em média, quase 3.358 quilos de soja por hectare, quase 30% a mais que os 2.583 kg/ha de 11 anos antes. A produção total da soja cresceu 123%, para 103 milhões de toneladas, enquanto a área colhida aumentou em 72%, para 31 milhões de hectares.

No caso do milho, a produtividade cresceu 56%, para 5.582 kg/ha. em 2006 eram 3.572 kg/ha. Como comparação, há três décadas a produtividade rondava os 1.500 kg/ha.

No caso do arroz o salto foi de 60%, para 6.441 kg/ha, contra 4.010 kg/ha na pesquisa anterior, e a produtividade do feijão cresceu 46%, e a do algodão, 30%.

A cana teve um leve recuo, de 71,74 toneladas/ha para quase 70 ton/ha.

Também melhoraram os resultados da pecuária leiteira, de 1.618 litros anuais por vaca, em 2006, para 2.621 litros em 2017. A produção cresceu mesmo com o recuo no total de vacas ordenhadas, de 12,7 milhões para 11,5 milhões.

“Dentro do contexto da série histórica, os números [da produtividade] são bem relevantes”, afirmou Marcelo Souza de Oliveira, analista do IBGE, em entrevista coletiva nesta sexta, na sede do IBGE, no Rio de Janeiro.

Apesar de terem melhorado a produtividade, houve queda no número de propriedades que declararam ter recebido orientação técnica: de 22% para 20,1% do total de pesquisados, ou 120 mil estabelecimentos a menos.

Foto: Divulgação/CNA

Foto: Divulgação/CNA

TECNOLOGIA
Nesses 11 anos, o número de tratores utilizados nas propriedades rurais aumentou em quase 50%. Se em 2006 eram cerca de 820 mil, onze anos depois a quantidade superou 1,2 milhão. Um mesmo trator pode ser usado com diferentes tipos de implementos, como arados e pulverizadores.

O total de produtores que utilizavam este tipo de máquina aumentou em mais de 200 mil entre um censo e outro, para 734 mil, segundo dados do IBGE.
Também cresceram o número de semeadeiras/plantadeiras (12%, para 358 mil), adubadeiras/distribuidoras de calcário (71%, para 253 mil) e colheitadeiras (48%, para 172 mil).

Ainda de acordo com os dados do censo, 553.382 produtores declararam usar a técnica do plantio direto, alta de 9% sobre a pesquisa anterior.
A técnica desenvolvida no Brasil possibilitou a expansão agrícola no país a partir dos anos 1990 e já vem sendo usada há anos.

Já o total de estabelecimentos com irrigação superaram 500 mil, aproximadamente 50% a mais do que no último censo. A irrigação permite o fornecimento controlado de água em regiões e períodos de seca, permitindo a plantação em locais ou períodos em que isso não era possível anteriormente.

A área irrigada saltou de 4,5 milhões de hectares para 6,7 milhões.

De acordo com o IBGE, aumentou em 158% o número de estabelecimentos com telefone, indo de 1,2 milhão para 3,1 milhões. O acesso a internet disparou 1.900%. Se apenas 75 mil estabelecimentos tinham internet em 2006, 11 anos depois 1,43 milhão produtores declararam acesso à rede.

MÃO DE OBRA
Com mais técnicas e maquinários, o campo passou a ocupar menos funcionários -a mão de obra no campo vem recuando desde 1995.

Em 2017, havia 15,1 milhões de trabalhadores nos estabelecimentos rurais, uma média de 2,97 por propriedade, a menor da história do censo.

Há 34 anos, eram 23,395 milhões de pessoas ocupadas, ou 4,03 por estabelecimento.

“Registramos a menor média de pessoal ocupado desde sempre, e em pessoal absoluto a menor média desde sempre”, disse Marcelo Souza de Oliveira.

O IBGE, no entanto, descarta que os dados do censo indiquem êxodo rural, que segundo o instituto só pode ser medido com pesquisas que investiguem o local de residência da população, independentemente da ocupação das pessoas. O IBGE realizará o censo populacional em 2020.

Apesar de descartar êxodo, o censo indica que os jovens estão deixando de se interessar pelo campo. Em 2006, 39,4% dos proprietários rurais tinham menos de 45 anos. Essa proporção caiu quase pela 30% em 2017.

“A contribuição dos mais jovens diminuiu. Isso acontece até a faixa de 35, 45 anos, com aumento da participação dos mais idosos”, apontou Oliveira.

A participação de mulheres entre os produtores passou de 12,7% para 18,7%, e 2 de cada 10 propriedades são dirigidas pelo casal -é a primeira vez que o IBGE pesquisa a direção compartilhada do bestabelecimento.

“Há 1.763.094 mulheres na direção e codireção de estabelecimentos agropecuários”, informou o órgão.

“A análise mais razoável é que as mulheres já estavam no campo, mas estão assumindo a direção dos estabelecimentos, e antes tinham papel mais de coadjuvantes”, apontou o analista Marcelo Souza de Oliveira.

Ainda segundo o IBGE, 23% dos proprietários não sabem ler nem escrever.

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