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Colunista comenta como pode ficar a imagem do ex-juiz Sérgio Moro

Da Redação. Publicado em 7 de julho de 2019 às 20:22.

A edição deste final de semana da revista Veja coloca ´mais um tijolo´ no processo de decomposição da imagem e da sustentabilidade no cargo do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, além de comprometer outras personalidades e autoridades nacionais, a exemplo do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, e até o apresentador global Fausto Silva.

O colunista Arimatéa Souza, do paraibaonline.com.br voltou a tratar do assunto. Leia a seguir alguns tópicos.

É de bom alvitre sublinhar, antes de seguir com um resumo dessas publicações, que esse material (vazamentos) não são reconhecidos por seus supostamente protagonistas, bem como não foram submetidos a qualquer perícia técnico-científica.

Mas, igualmente, não houve qualquer desmentido categórico.

As mensagens indicam que Fausto Silva forneceu um ´assessoramento midiático´ a Moro e à força-tarefa da Lava-Jato.

Exemplo: aconselhou a utilização de uma “linguagem mais simples, do povão” durante as entrevistas.

No dia 5 de julho de 2017, o ex-juiz teria questionado o procurador da República Deltan Dallagnol sobre rumores de uma possível delação premiada do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB-RJ).

Na conversa, o então juiz mostrou-se contrário a um possível acordo. “Espero que não procedam”, escreveu.

“Só rumores. Não procedem”, respondeu Dallagnol três minutos depois.
“Agradeço se me mantiver informado. Sou contra, como sabe”, devolveu Moro.

Em 13 de julho de 2015, Dallagnol comentou com os colegas do Ministério Público federal que conversou 45 minutos com o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato.
“Aha uhu o Fachin é nosso”, bradou Dallagnol aos colegas.

Foto: Agência Brasil

Foto: Agência Brasil

No dia 17 de dezembro de 2015, Sérgio Moro cobrou manifestação do MPF no pedido que revogava a prisão preventiva do pecuarista João Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula.

“Preciso manifestação MPF no pedido de revogação da preventiva do Bumlai até amanhã meio dia”, sugere Moro.
“Ok, será feito”, responde Dallagnol.

O que se deduz de mais esse bloco de vazamentos da ´Lava Jato´ é uma preocupação sistemática no sentido de que as investigações permaneçam sendo realizadas pela ´força-tarefa´ de Curitiba.

Ou seja, a inclusão de algum personagem novo, com foro privilegiado – um deputado, senador ou ministro de Estado, por exemplo – arrefeceria toda a apuração, no entendimento do grupo.

Em que pese a (presumível) motivação (ou até a boa intenção, em seu sentido amplo) da ´força-tarefa´, o fato é que se sucedem indicações de que o chamado ´devido processo legal´ foi desconsiderado.

E instala-se um brutal paradoxo, facilmente balizado no aspecto legal, mas genuinamente controverso no desfecho: uma operação dessa magnitude teria avançado ao ponto que atingiu sem a dedicação e compromisso de um grupo de servidores compromissados?

Dito de outro jeito: até que ponto os fins justificariam os meios (atalhos), se é que se pode ´dar a largada´ nessa discussão?

É fato que ´nunca antes´ uma ação investigativa no Brasil aprofundou-se tanto no chamado ´andar de cima´ da sociedade, fazendo com que um rastro bilionário de práticas corruptas e corruptivas viesse à tona, e que membros do poder político e econômico conhecessem os caminhos íngremes dos cárceres.

Sérgio Moro é um profundo conhecedor da operação ´Mãos Limpas´, realizada na Itália e que visou igualmente ´dar um freio´ na corrupção que campeava naquele País.

Como poucos por aqui, ele sabe precisamente dos equívocos, falhas e vulnerabilidades da ação italiana.

E, mera inferência do colunista, o ex-juiz pode ter procurado, exacerbando de sua competência institucional, evitar na similar operação brasileira as referidas vulnerabilidades.

Registre-se que, até o momento, não existe qualquer contestação consistente aos crimes descobertos (salvo os relacionados ao ex-presidente Lula); às cifras reveladas; ou aos operadores dessa ´farra´ com o dinheiro público.

A partir das revelações em solo nacional, outros países também identificaram os efeitos dessa ação deletéria de agentes políticos e empresários brasileiros, em escala financeira impressionante.

É incontroverso que o ex-juiz encarnou, perante fatia significativa da sociedade brasileira, a figura de uma autoridade pública que combatia a impunidade que grassava (?) desmedidamente no País.

Noutra perspectiva, é inaceitável e desleal que um magistrado, encarregado de julgar com isenção litígios numa sociedade, tenha se envolvido muita além da conta na instrumentalização de um processo cuja última palavra seria a sua própria.

Resta, então, a resolução de uma equação legal e institucional que mantenha a higidez de tudo quanto foi e está sendo apurado pela Operação Lava Jato, expurgando os excessos procedimentais.

Quanto ao hoje ministro, cabe observar onde ele vai se enquadrar, na longa ´avenida´ que vai da condição de ´herói nacional´ até à condição de usurpador de prerrogativas, um certo alguém que se permitiu ficar (e agir) acima da lei.

“O afeto ou o ódio – ensinava Blaise Pascal, filósofo francês – mudam a face da justiça”.

*Fonte: Veja.com e coluna Aparte, com o jornalista Arimatéa Souza

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