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“Solidão” do papa Francisco inspira livro sobre a crise na Igreja Católica

Da Redação*. Publicado em 25 de junho de 2019 às 16:46.

O jornal O Globo publicou, dias atrás, uma ampla reportagem sobre as dificuldades que o papa Francisco enfrenta para guiar a Igreja Católica, em função de desavenças internas – e, em muitos casos, obscuras.

Essa situação inspirou o novo livro do escritor e jornalista Marco Politi, considerado um dos maiores vaticanistas vivos: “A solidão de Francisco”.

“Há um paradoxo. Francisco conta com um consenso muito grande a seu favor entre pessoas de todas as religiões. Mas, ao mesmo tempo, dentro da Igreja não há tantas pessoas engajadas em apoiá-lo. Ele enfrenta não só adversários, mas uma grande passividade”, disse à publicação o autor do livro.

Ainda conforme o escritor, “há uma guerra subterrânea na Igreja Católica. Nem tantos cardeais se manifestam publicamente e praticamente todos dizem que apoiam o Papa. Mas a maioria dos opositores atua silenciosamente. Eles conseguem bloquear a agenda, às vezes com uma oposição aberta, mas, principalmente, por meio da inércia e de manobras por baixo dos panos”.

Foto: Ascom

Foto: Ascom

Ele foi ainda mais explícito: “O que temos agora são situações de sabotagem”.

“A oposição não é ao Papa Francisco, mas ao que ele representa e torna visível. A oposição é antes de tudo, ao discurso de setores descartados socialmente. O problema do Papa é que as pessoas o escutam”, avaliou a teóloga argentina Emilce Cuda.

Outro especialista ouvido pela reportagem foi Gerard O´Connell, correspondente no Vaticano de uma revista especializada: “Há quem não goste de seu foco nos pobres, mas todos os Papas no século XX tiveram oposição. A novidade é que agora muitas pessoas podem se exprimir em redes sociais e blogs, com uma linguagem muito violenta, o que chama a atenção”.

Há poucos dias, Francisco deu um ´carão´ público em vários núncios (embaixadores da Igreja) reunidos em Roma: “É feio ver um núncio que busca o luxo, os trajes e os objetos de marca em meio a pessoas sem o básico. É um contratestemunho. A maior honra para um homem da Igreja é ser o ‘servo de todos’.”

Nesse mesmo pronunciamento, ele lamentou que “passam-se os séculos, mas a condição de ricos e pobres se mantém inalterada, como se a experiência da História não nos tivesse ensinado nada”.

Francisco emendou: “A Igreja não pode fechar os olhos diante desse fenômeno (…) Os pobres são tratados como lixo, sem que exista qualquer sentimento de culpa por parte daqueles que são cúmplices deste escândalo”.

*fonte: oglobo

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