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Indicada por apresentadora de TV, água oxigenada no ouvido pode causar lesões

Da redação com Folhapress. Publicado em 6 de junho de 2019 às 8:23.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Uma a três gotinhas de água oxigenada no ouvido. […] A mesma coisa funciona para otite externa, principalmente depois de um dia de cachoeira gelada. E pra dor de garganta também”, diz uma postagem recente da apresentadora Bela Gil. Se a intenção era boa, a repercussão não é, já que a dica não só não tem comprovação científica como pode causar complicações.

“Há vários tipos de otite. Se a pessoa tem uma lesão externa, com a pele lesionada, e coloca água oxigenada, só vai aumentar a lesão”, diz Olavo Mion, especialista da USP. “O ouvido é um órgão muito sensível. Qualquer coisa coisa errada pode comprometer a audição.”

A publicação de Bela Gil já tinha chegado aos ouvidos dos especialistas ouvidos pela reportagem, e eles dizem que é preocupante a indicação de tratamentos caseiros, especialmente quando não se sabe a origem do problema.

A apresentadora também cita em sua publicação a otite média: “Claro, converse com seu otorrino pra ver se ele acha ok (e no caso de otite média se for usar a água oxigenada dê 30 min de diferença entre a aplicação do antibiótico e da água ox.)”.

Nesse caso, o uso da água oxigenada é absolutamente contraindicado, segundo Joel Lavinsky, membro da diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL). “Otite média aguda atinge uma área mais interna do ouvido e pode estar relacionada a uma perfuração de tímpano”, afirma Lavinsky.

Foto: Divulgação

Já a água oxigenada na garganta não deve causar malefícios, mas, da mesma forma, não traz benefícios.

“Pode agir como um placebo”, diz José Eduardo de Sá Pedroso, também membro da ABORL. “Já vieram me falar que fazem gargarejo com vinagre, com sal. Eu falo para guardar isso para a salada. Se quiser fazer gargarejo faça com água morna porque o calor aumenta a circulação no local, o que pode aumentar a concentração de componentes imunológicos no local.”

Mas como denunciar esse tipo de conteúdo falso e, em alguns casos, perigoso? No Instagram, onde foi feita a postagem de Bela Gil, há opções para denúncias de conteúdo violento, discurso de ódio, nudez ou “simplesmente não gostei”, mas nada relacionado a informações falsas de saúde.

No Twitter também não há um tipo específico de denúncia relacionado ao tema. Já o Facebook conta com uma opção de “notícias falsas”.

A reportagem procurou Bela Gil, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. Procurados, Instagram e Facebook também não se manifestaram.

Em nota, o Twitter afirma que contas que violem as regras de uso da plataforma podem ser suspensas. A rede social também diz que recentemente tomou medidas para que, ao se pesquisar sobre vacinas na plataforma, o usuário seja direcionado a páginas oficiais sobre o tema.

No Brasil, como resultado da busca no Twitter é apresentado um link que direciona para uma página do Ministério da Saúde sobre vacinação. Também há um link que deveria direcionar para o perfil oficial da pasta na plataforma, mas que leva o usuário a um aviso de “Desculpe, essa página não existe!”.

Recentemente o Facebook também afirmou que irá reduzir a distribuição de conteúdos com informações falsas sobre vacinas.

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