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Ex-ministro: “Estamos numa crise que estará conosco durante muito tempo”

Da Redação. Publicado em 24 de junho de 2019 às 17:19.

O Plano Real completa no próximo mês 25 aos de existência. Um de seus ‘pais’, o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan (Governo FHC), concedeu dias atrás uma longa entrevista ao jornal O Globo tratando da conjuntura econômica atual.

Vale a pena reproduzir alguns trechos. É o que segue.

“Estamos numa crise que estará conosco durante muito tempo. Crescemos, na média, 0,6% ao ano nos últimos oito anos. O resto do mundo em desenvolvimento nesses mesmos oito anos cresceu 4,8%, 4,9%, pelo menos. Essa situação agora é a mais séria da nossa história recente.

“Nenhum cálculo atuarial resiste a uma conta como essa: 11% de contribuição e se aposentar com 49, 50 anos. A média é 55. Quem chega aos 55 hoje vai viver até os 80, ganhando um salário que é um múltiplo de sua contribuição. 

Foto: Gustavo Miranda / Agência O Globo

Foto: Gustavo Miranda / Agência O Globo

“As pessoas não se dão conta de que nosso sistema é de repartição. Quem está pagando os aposentados de hoje é quem está na força de trabalho. A população cresce a 0,7% ao ano e a de aposentados, a 3,5%. 

“No fim dos anos 2040, só a faixa etária com mais de 60 anos vai crescer. Essa aposentadoria terá de ser paga por essa população que está trabalhando e que está diminuindo. É uma bomba de efeito retardado.

“Em 2018, o rombo da Previdência (INSS) foi de R$ 194 bilhões. O país está envelhecendo rapidamente e é um dos poucos do mundo a não exigir idade mínima. 

“Na América Latina, somente o Brasil e o Equador não exigem idade mínima para a aposentadoria. Na Europa, só a Hungria. A maioria dos países adotou pisos de 60 anos para cima. Na União Europeia, até o ano que vem, apenas sete países terão idade mínima inferior a 65 anos.

O fato é que, de vez em quando, o governo dá sinais de um comprometimento que deixa um pouco a desejar para a gravidade do momento. O problema fiscal é de curto, médio e longo prazos. É uma enorme pedreira pela frente, não é só uma pedra no meio do caminho.

“A reforma (da Previdência), por si só, não é uma panaceia, não vai mudar todos os cenários de formação de expectativas sobre os investimentos. Mas, sem ela, as expectativas serão revistas para baixo. 

“A reforma é imprescindível, assim como era o Real, mas ele não era um fim em si mesmo. A agenda do Brasil é muito mais ampla.

“Nosso problema fundamental chama-se educação, formação de gente, nos vários níveis. Felizmente, a consciência disso tem aumentado. No ensino médio, que é uma carnificina no Brasil, quase 40% dos alunos entre 15 e 17 anos que deveriam estar no ensino médio não estão. Estamos falando de alguns milhões de pessoas. É um desperdício monumental”.

*Fonte: O Globo

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