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Colunista comenta facetas do Governo Bolsonaro

Da Redação*. Publicado em 19 de maio de 2019 às 13:45.

Esta semana, o colunista Arimatéa Souza, do PARAIBAONLINE, tratou de algumas facetas do Governo Bolsonaro, em sua coluna Aparte.

Veja trechos de suas reflexões a seguir.

Há múltiplas facetas, que não se esgotam nas linhas que seguem, acerca da ruidosa e densa mobilização que a comunidade acadêmica de instituições federais promoveu no dia de ontem em cerca de 180 cidades brasileiras.

Foi um público e inequívoco sinal de desmedido descontentamento com as medidas de retenção orçamentária que estão sendo adotadas pelo atual governo.

Cabe inicialmente pontuar que exige-se, via de regra, de quem ocupa a titularidade da Presidência da República, a obediência mínima a critérios civilizados, quando exteriorizar conceitos e opiniões, porque, afinal de contas, ele não governa apenas para quem sufragou o seu nome nas eleições do ano passado.

O misto de incontinência verbal com descompostura vernacular de Bolsonaro, ao mesmo tempo, constrange, envergonha e (principalmente) preocupa uma fatia expressiva de seus governados.

Para ficar na mais recente e deplorável declaração, eis a sua reação ao inquestionável (do ponto de vista da organização) protesto de ontem contra o seu governo: “É natural, é natural, mas a maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada”.

E aí veio a perfuração mais insensata: “São uns idiotas uteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil”.

Num ambiente democrático, como presumivelmente é o que desfrutamos, compete ao chefe do Executivo escutar, refletir e até discordar fundamentadamente das demandas objeto dos protestos.

Jamais enveredar pela prévia desqualificação dos oponentes, ainda mais quando o ´outro lado´ é um segmento valioso e indispensável, como é o educacional.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Saltava à vista, desde o período eleitoral, as evidentes limitações de Jair Bolsonaro para o exercício da Presidência.

O exercício dela apenas, em doses diárias, está reforçando essa percepção.

Essas limitações – registre-se – não tolhem a legitimidade de seu mandato, muito menos arrefecem o sentimento majoritário que o levou ao cargo: uma mudança radical nas práticas políticas ao cabo do transcurso do mandato, com os atropelos e concessões do percurso.

Os protestos de ontem igualmente carecem de outra angulação.

O radicalismo desmedido e incondicional contra o presidente desgasta-o muito menos do que se imagina à primeira vista, pelo elementar fato de realimentar o seu discurso pseudo ´messiânico´ contra o ´status quo´ do Brasil real dos últimos anos.

Dito de outra maneira: quando setores organizados ou corporativos atacam (às vezes) desarrazoadamente o Governo Bolsonaro, solidificam ainda mais a amalgama que o une a uma fatia relevante do eleitorado nacional.

Ou seja, não é com a radicalização da oposição ao presidente que será alcançado um nível de contraposição satisfatória às políticas e ações que ele elegeu como prioritárias.

Antes de atingir o governo, essa estratégia o favorece no curto prazo.

Por fim – sem esgotar o tema, como alertei acima – é preciso mencionar o desequilíbrio e a parcialidade flagrantes de parte da ´grande mídia´ com o governo atual.

*fonte: coluna Aparte

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