Fechar

logo

Fechar

Colunista Arimatéa Souza comenta o drama do assalto ao campus da UEPB

Da Redação. Publicado em 2 de abril de 2019 às 14:22.

Foto: Prof Solange Norjosa - Dept Filosofia

Foto: Prof Solange Norjosa – Dept Filosofia

No mundo crescentemente conturbado, irracional, violento e imprevisível dos dias atuais, cada vez mais fica difícil conciliar, sem contratempos ou surpresas adversas, o binômio comodidade e tranquilidade.

Essa constatação foi renovada e pavorosamente atestada ontem, com a invasão por parte de um bando armado às dependências da central de aulas da UEPB, no bairro de Bodocongó, em Campina Grande, no qual centenas de alunos (estima-se em 5 mil) reconquistam uma rotina que tinham perdido por vários meses: a diária frequência à sala de aula em busca de formação profissional.

Num paroxismo impensável há algum tempo, mas plenamente cabível na atualidade, uma estudante verbalizou ontem à TV Itararé a síntese perfeita, mesmo que demolidora: “Graças a Deus foi (apenas) um assalto!”

A frase traduz o sentimento instintivo que tomou conta dos universitários no local, logo que os tiros desencadearam a sinfonia do desespero, com chances de conversão em réquiem para novas indefesas vítimas.

Para essa estudantada afeita (até excessivamente) às ferramentas de comunicação virtual e imediata, ainda está muita vivo na mente o massacre mais recente de colegas de geração numa escola no interior de São Paulo.

Num primeiro momento, foi como se um pesadelo batesse à porta da sala de aula da UEPB.

Falei logo no início da presente incompatibilidade entre comodidade e tranquilidade, porque parece ser imperioso observar que é preciso abolir a presença de equipamentos que movimentem dinheiro em ambientes de grande adensamento de pessoas.

Não que o fato de inexistir um caixa eletrônico se converta imediatamente numa ´blindagem´ para o local.
Mas certamente fecha-se uma das modalidades de estímulo ou indução à violência.

O fato é que viramos compulsoriamente reféns do medo e órfãos de uma sociedade que nutre em seu ventre comportamentos inconsequentes e, em muitos casos, letais.

Uma civilização na qual muitas pessoas têm a chance de desfrutar de um consumismo desmedido e/ou de posturas absolutamente desregradas, cujo resultado objetivo tem sido um vazio (aparentemente) injustificável e entristecido. Em muitos casos, gradativamente depressivo e até suicida.

Num verso profundo, o poeta gaúcho Nelson Martins proclama: “Como eu posso encher um copo vazio/ Nesta minh’alma vazia/ Se tudo que me restou, são lágrimas”.

*fonte: coluna Aparte, publicada no paraibaonline.com.br

Share this page to Telegram
Matérias Relacionadas

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube