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Bolsonaro libera linha de crédito de R$ 500 milhões a caminhoneiros

Folhapress. Publicado em 17 de abril de 2019 às 8:20.

Foto: Paraibaonline/Arquivo

TALITA FERNANDES E RICARDO DELLA COLETTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Para conter ameaças de greve de caminhoneiros diante da alta do diesel, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta terça (16) linha de crédito de R$ 500 milhões para a categoria.

O valor será disponibilizado para profissionais da área de transporte rodoviário pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). “Já tínhamos sinalizado isso para os caminhoneiros autônomos. Está restrito para os que têm até dois caminhões no mesmo CPF”, afirmou o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Segundo ele, o crédito servirá para a compra de pneus e a manutenção dos veículos. O caminhoneiro terá acesso a financiamento de até R$ 30 mil.

O anúncio ocorre um dia após encontro no Palácio do Planalto que reuniu seis ministros para anunciar medidas que melhorem a vida dos caminhoneiros sem que o Poder Executivo tenha de fazer intervenções no preço do diesel.

A medida está entre as iniciativas que foram discutidas em reunião realizada na segunda (15) e concluídas na manhã desta terça.

Além da linha de crédito, o governo anunciou outras ações. O Ministério da Infraestrutura recebeu R$ 2 bilhões que serão investidos na conclusão de obras prioritárias, como a pavimentação da BR-163. Desse valor, R$ 900 milhões irão para a recuperação da malha rodoviária brasileira.

Ao ser questionado quais pastas perderiam verbas para liberar os R$ 2 bilhões, já que o Orçamento está contingenciado, Onyx disse que o Ministério da Economia estuda como equacionar o rearranjo. “Vai fazer um rateio entre todos, cada um vai dar sua contribuição”, disse ele.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que o pacote de medidas para atender aos caminhoneiros incluirá a construção de pontos de descanso em rodovias federais –o governo obrigará nos contratos de concessões dessas rodovias a concessionária a construir pontos de descanso.

Ele disse ainda que o governo estimulará o cooperativismo na categoria dos caminhoneiros e atuará para desburocratizar o processo de transporte profissional de cargas.

Nessa linha, o governo deve implementar uma espécie de certificado eletrônico que reunirá uma série de documentos hoje necessários para o exercício da profissão, o que deve reduzir os gastos dos profissionais com despachantes.

Freitas deixou claro que uma prioridade do governo é garantir o valor do frete aos caminhoneiros. “O mais importante é garantir o frete.”

O ministro citou como uma opção para isso o cartão-combustível da Petrobras.

“Tem outra medida importante, que o caminhoneiro vai começar a perceber, que é o cartão combustível. Que virá. Está sendo estudado e vai ser disponibilizado em breve pela Petrobras”, disse.

A fala do ministro representa um recuo no que tinha dito antes, quando citou duas soluçõe: indexar o frete ao aumento do diesel e o cartão caminhoneiro, no qual haveria crédito para garantir o preço do diesel naquele frete.

Logo em seguida, a assessoria de imprensa do ministério informou que não haverá indexação do frete ao diesel e que esse era apenas um exemplo. Tarcísio negou que ao criar medidas o governo esteja refém da pauta dos caminhoneiros. “Não se trata de ficar refém, eles estão pedindo condições de trabalho. São pleitos justos, construídos na base do diálogo”, disse.

Onyx disse ainda que Bolsonaro sempre esteve alinhado com as demandas dos caminhoneiros. A reunião nesta segunda, que discutiu as medidas para atender a categoria, durou cerca de quatro horas.

Seis ministros discutiram soluções para a demanda dos caminhoneiros. Participaram Onyx (Casa Civil), Freitas (Infraestrutura), Paulo Guedes (Economia), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Santos Cruz (Governo) e Floriano Peixoto (Secretaria-Geral).

Segundo relatos à reportagem, a ideia com o anúncio é transmitir a mensagem de que o governo tem o empenho de atender os caminhoneiros em pautas que vão além do diesel.

Nos bastidores, auxiliares do presidente veem como inevitável a flutuação do preço do combustível conforme o valor do petróleo e câmbio, como é feito hoje. Por isso, será necessário vencer o descontentamento de outras formas.

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