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Pente-fino no Sesi permitiu eleição unânime de goiano na CNI

Folhapress. Publicado em 4 de março de 2019 às 18:21.

Foto: Reprodução/ Internet

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MARIANA CARNEIRO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A eleição unânime de Paulo Afonso Ferreira (foto) para presidência interina da CNI (Confederação Nacional da Indústria) teve como pano de fundo um acordo para colocar em prática um pente-fino no Departamento Nacional do Sesi.

Foco de suspeitas de desvio de recursos e lavagem de dinheiro apuradas pela Polícia Federal, o departamento é controlado pelo presidente da CNI. O orçamento anual que administra é de cerca de R$ 1,2 bilhão.

Segundo a PF, o esquema de desvios envolveria a empresa Aliança Comunicação e Cultura, contratada sem licitação para fazer projetos do Sesi como o “Cine Sesi Cultural” e o “Sesi Bonecos do Mundo”.

A investigação levou à prisão do então presidente da CNI, Robson Andrade, e de dirigentes do Sesi em Pernambuco e Alagoas na semana passada. Eles foram liberados no mesmo dia, após prestarem depoimento.

Em eleição na última quinta-feira (28), em Brasília, Paulo Afonso foi eleito por unanimidade, por representantes da indústria de 25 estados.

Ele deverá comandar a CNI durante o afastamento de Andrade do cargo, determinado pela Justiça em medida cautelar (temporária) no último dia 19 e previsto para durar pelo menos 90 dias.

Os advogados de Andrade ainda tentam reverter a decisão, o que pode fazer com que ele retome a presidência da CNI.

Paulo Afonso foi o escolhido entre quatro vice-presidentes-executivos, que abriram mão da disputa -entre eles Glauco Côrte (Santa Catarina) e Paulo Skaf (São Paulo).

A eleição foi convocada porque a situação atual não está prevista no estatuto da CNI. Afastado judicialmente da presidência, Andrade não poderia indicar um sucessor de sua escolha.

Porém, como a decisão judicial não é definitiva, a vacância do cargo tampouco poderia ser decretada. Dessa maneira, a saída encontrada foi a eleição de um interino.

Caso os 90 dias se esgotem e Andrade não seja autorizado a retomar o cargo, representantes industriais cogitam convocar uma nova eleição para cobrir o restante de seu mandato, válido até 2022.

Encabeçadas pelo presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, lideranças industriais do Sudeste e Sul condicionaram seu voto à autorização para uma limpa no Departamento Nacional do Sesi.

Do valor total administrado, cerca de R$ 400 milhões são repassados às regionais do Sesi de estados com menos recursos. No restante, as ações de controle são consideradas frágeis, segundo um observador da política interna da CNI.

A investigação da PF ocorre em um momento em que o uso de recursos pelo Sistema S são alvo de crítica do governo Jair Bolsonaro.

Esta arrecadação soma cerca de R$ 20 bilhões por ano e irriga entidades como a CNI e federações industriais nos Estados, como a Fiesp e a Firjan, além da rede Sesc, Sesi e Senai.

O ministro Paulo Guedes (Economia) já disse que pretende reduzir à metade a contribuição das empresas ao Sistema S, como forma de desonerar o setor produtivo e reduzir despesas.

Com a bênção de Guedes, o presidente Jair Bolsonaro indicou, no fim do ano passado, Eduardo Eugênio para a presidência do Conselho Nacional do Sesi -formado por representantes do governo, empresários e trabalhadores e que tem como objetivo dar as diretrizes e fiscalizar o uso dos recursos.

O empresário tomou posse há uma semana e, segundo uma pessoa ligada à entidade, determinou auditoria em contratos, convênios e patrocínios. O trabalho está sendo feito por um time de 15 funcionários da Firjan.

Metade do contingente de 68 pessoas que trabalhavam no conselho foi dispensada, liberando um andar no edifício Armando Monteiro Neto, em Brasília, que deverá ser alugado.

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