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Lula chega a São Paulo para acompanhar velório do neto

Da redação com Folhapress. Publicado em 2 de março de 2019 às 11:18.

CAROLINA LINHARES E KATNA BARAN
CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a São Paulo antes das 9h para acompanhar o velório do neto, em São Bernardo do Campo, na manhã deste sábado (2). Ele deixou a carceragem da Polícia Federal em Curitiba por volta de 7h.

Arthur Araújo Lula da Silva, 7, morreu em decorrência de meningite meningocócica na sexta (1º). Familiares e amigos se despedem do menino, num caixão aberto e branco. À frente, está uma estante com brinquedos, bolas de futebol e um par de chuteiras.

Após as 10h, Lula ainda esperava para chegar ao velório. Isso por estar autorizado a permanecer apenas 1h30 no local, e a cremação estar marcada só para as 12h. O petista está acompanhado somente da escolta.

Lula recebeu autorização da Justiça Federal do Paraná para acompanhar o velório. A Lei de Execução Penal prevê a permissão de saída de presos para velórios e enterros de familiares, incluindo descendentes.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal também se manifestaram favoravelmente à saída.

O ex-presidente deixou a carceragem da PF, onde cumpre pena por condenações de corrupção na Lava Jato, em um helicóptero. Ele embarcou cinco minutos antes da decolagem e não usava algemas.

Lula então seguiu para o aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, onde trocou de aeronave rumo ao aeroporto de Congonhas, na capital paulista. Lula decolou novamente às 7h20 em avião do Governo do Paraná, cedido pelo governador Ratinho Júnior (PSD).

Na sexta, quando recebeu a notícia da morte, Lula desabou, nas palavras de aliados. Com a foto de Arthur que mantém na cela nas mãos, o ex-presidente repetia que a morte da criança contrariava a lógica da vida, conforme relatou o jornal Folha de S.Paulo.

Arthur visitou o avô por duas vezes na sede da PF, no ano passado. Era filho de Marlene Araújo Lula da Silva e Sandro Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente e de Marisa.

Foto: Giuliano Gomes/PR Press/Folhapress

Foto: Giuliano Gomes/PR Press/Folhapress

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, esteve no velório na noite de sexta. Na manhã de sábado, também estavam presentes os petistas Emídio de Souza, Aloizio Mercadante, Gilberto Carvalho, Benedita da Silva, José Genoíno, Alexandre Padilha, Clara Ant e Elenora Menicucci, entre outros. O líder do PSOL Guilherme Boulos também acompanhou.

SAÍDA
É a primeira vez que Lula visita seu reduto político depois que foi preso, em abril do ano passado. Ele deixou a carceragem da PF apenas duas vezes, para prestar depoimentos no prédio da Justiça Federal do Paraná.

A saída da prisão foi autorizada pela juíza Carolina Lebbos, responsável pela execução penal de Lula, nesta sexta-feira. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal também se manifestaram favoravelmente à decisão.

Os detalhes da segurança e do deslocamento do ex-presidente, no entanto, foram mantidos sob sigilo para “preservar a intimidade da família e garantir não apenas a integridade do preso, mas a segurança pública”, segundo informou a Justiça Federal do Paraná.

Neste sábado, poucos assessores acompanharam a saída do petista, do lado de fora da PF. No horário de partida do helicóptero, não havia militantes na Vigília Lula Livre, montada em frente à PF desde que o ex-presidente foi preso, em abril do ano passado.

Mas tarde, cerca de 30 militantes que integram a Vigília Lula Livre fizeram um ato de apoio ao ex-presidente em frente ao prédio da PF em Curitiba. Eles cantaram, gritaram “força, Lula” e fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao neto do petista.

Rosane da Silva, da direção nacional do PT e da coordenação da vigília, discursou aos presentes. Ela disse a jornalistas que Lula deve permanecer por uma hora e meia com a família e depois retornar a Curitiba.

Segundo Rosane, a intenção era convocar a militância para um ato de solidariedade a Lula no retorno dele. “Vamos fazer um momento de silêncio e de solidariedade. Desde que foi comunicada a morte do Arthur não estamos chamando palavras de ordem, só gritando ‘força, Lula’. Ele está passando por uma dor muito profunda e, como a gente não pode abraçá-lo, a gente vai ficar em silêncio para ele sentir nossa energia quando voltar”, disse.

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