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Colunista comenta sobre a ilação de Bolsonaro sobre as forças armadas

Da Redação. Publicado em 8 de março de 2019 às 20:20.

Foto: Ascom/Presidência

A bem da verdade, deve ser relativizada, para a maioria da população brasileira – que sufragou nas urnas, ano passado, majoritariamente, o nome de Jair Bolsonaro – os seus rompantes retóricos, que oscilam entre a estultice e a inconsequência.

A trajetória do hoje presidente depõe na direção de que não há surpresas. Aliás, realisticamente, ele se mostra coerente com a sua história política.

Entre os méritos que eventualmente se queira atribuir ao presidente da República, credite-se que ele não enganou ninguém, nesse aspecto, no recém-findo processo eleitoral.

Mas, ontem, o ´capitão´ extrapolou da razoabilidade durante um discurso: “A democracia e a liberdade só existem quando as forças armadas assim o querem”.

A incontinência verbal do presidente – ou seja, a sua compulsão em falar idiotices – parece não ter limites.

Mas preocupa quando as palavras enveredam pelo delicado campo de sublimar os tentáculos do poder público encarregados de manter a segurança e a ordem – e por conseguinte exercer o poder de controlar os armamentos nacionais.

Qualquer criança do ensino fundamental que está sendo apresentada e/ou estimulada à interpretação de textos – em escolas ´com´ ou ´sem´ partido´ – há de deduzir da fala presidencial, no mínimo, uma sutil aceno ao protagonismo das forças armadas, que também atende pelo nome de ditadura.

“Nós somos o bastião da democracia e da liberdade”, buscou atenuar, posteriormente, o ministro e general Augusto Heleno.

Uma das primeiras vozes a contestar publicamente o (no mínimo) inconveniente de Bolsonaro foi o professor da Unicamp (Campinas – SP) e filósofo Roberto Romano.

“A fala do presidente pode ser entendida como uma imprudência que põe em situação delicada a instituição do regime democrático, o governo e, sobretudo, as Forças Armadas. Ele sugere para as Forças Armadas o papel de tutoras do País, quando se trata de garantir a democracia. Se existe democracia, ou seja, regime em que o povo é soberano, não é suportável qualquer tutela que significa usurpação de soberania.

“A imprudência da fala chega a ser um convite à subversão da ordem. O Brasil tem tudo a ganhar se o presidente se abstiver de mensagens e discursos que firam a ordem estabelecida”, adendou Romano.

Para fechar (por hoje) sobre o assunto, recorra-se ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que a tinha a dimensão do que é – no regime presidencialista – a instituição chamada Presidência da República:
“Nem o presidente nem os ministros são acrobatas de circo para fazer piruetas”.

*fonte: coluna Aparte, com o jornalista Arimatéa Souza

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