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‘Braço jurídico’ de ex-governador do RJ é preso pela 2ª vez

Folhapress. Publicado em 15 de fevereiro de 2019 às 8:27.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

ITALO NOGUEIRA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O ex-secretário estadual da Casa Civil Régis Fichtner foi preso pela segunda vez nesta sexta-feira (15) em decorrência das investigações da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

Fichtner é apontado como o “braço jurídico” da quadrilha do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), preso desde novembro de 2016. O gerente da propina do emedebista, Carlos Miranda, afirmou que cabia ao ex-secretário dar forma legal aos contratos que geravam propina ao grupo.

Segundo Miranda, ele recebia uma mesada de R$ 100 mil do ex-governador.

O juiz Marcelo Bretas expediu dois mandados de prisão e oito de busca e apreensão. O outro alvo da operação é o coronel da Polícia Militar Fernando França Martins, apontado como o responsável por recolher dinheiro a pedido do ex-secretário.

Segundo o Ministério Público Federal, há indícios de que Fichtner destruiu provas, o que justificou o pedido de prisão. Além disso, procuradores afirmam que o ex-secretário permanece ocultando patrimônio obtido por meio de corrupção.

Procurador do estado, Fichtner já é réu numa ação penal decorrente da Operação C’est Fini, deflagrada em novembro de 2017. Na ocasião, ele foi preso preventivamente sob suspeita de ter recebido R$ 1,5 milhão do esquema de Cabral.

Ele já havia sido citado identificado na contabilidade paralela de Luiz Carlos Bezerra, responsável por recolher e entregar dinheiro entre 2011 e 2016 a mando do ex-governador. Em depoimento, o operador financeiro identificou o ex-secretário como sendo o “Alemão” nas cadernetas apreendidas em sua casa -ele usava apelidos para se referir ao destino e origem do dinheiro.

Na ocasião, ele ficou apenas três dias preso. Foi solto por um habeas corpus concedido pelo juiz federal Paulo Espírito Santo. O relator da Lava Jato do Rio de Janeiro no TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), Abel Gomes, se julgou impedido de analisar o caso de Fichtner.

No governo, Fichtner sempre foi uma espécie de “solucionador de problemas” na gestão emedebista. Caíram em seu colo grandes contratos, como da obra da linha 4 do metrô, concessão do Maracanã e manutenção de frota de viaturas da Polícia Militar.

Todos tinham em comum cifras milionárias, polêmicas jurídicas e, atualmente, estão sob investigação. Os empecilhos legais por vezes indicados por Fichtner lhe garantiram a alcunha de “dr. Certinho” na administração.

As soluções para os pepinos de Cabral não se limitavam ao governo. O escritório da família -do qual se afastou enquanto esteve no governo- também atuava, de graça, na defesa do peemedebista e outros aliados em ações populares e de improbidade administrativa. O serviço foi interrompido em fevereiro de 2017, após as duas primeiras operações sobre Cabral.

O ex-secretário é visto entre os investigadores como um potencial delator que aponte desvios do Poder Judiciário. Há a expectativa de que ele detalhe irregularidades decorrentes da nomeação de desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Fichtner sempre negou as acusações. Em depoimento à Polícia Federal logo após a C’est fini, ele disse que recusou dinheiro em espécie oferecido por Cabral por serviços advocatícios prestados pelo escritório de sua família.

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