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Morre aos 94 George Bush, último presidente dos EUA na Guerra Fria

Da redação com Folhapress. Publicado em 1 de dezembro de 2018 às 13:24.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – George Herbert Walker Bush, o 41º presidente dos Estados Unidos, morreu no início da madrugada deste sábado (1º), aos 94 anos, em sua casa, em Houston.

“Jeb, Neil, Marvin, Doro e eu estamos tristes em anunciar que, após 94 extraordinários anos, nosso querido pai morreu”, disse seu filho George W. Bush, o 43º presidente americano, em nota divulgada pelo porta-voz da família, Jim McGrath.

Em abril deste ano, um dia após o funeral de sua mulher, Barbara, foi internado com uma infecção no sangue –já sofria há anos de Parkinson.

Bush pai foi o último presidente dos EUA da geração que lutou na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Seu governo registra uma grande vitória militar em 1990, a operação “Tempestade no Deserto”, que pôs fim à ocupação militar do Kuait pelo Iraque. Foi também na sua administração que a Guerra Fria terminou, com a queda do Muro de Berlim em 1989, seguida da dissolução da União Soviética e do estabelecimento por Bush e Mikhail Gorbatchov da parceria estratégica entre Rússia e EUA, em 1991.

Em grande parte devido a esses fatos, Bush registrou na primeira metade de seu único mandato altíssimos níveis de popularidade.

Mesmo assim, perdeu a reeleição em 1992 para Bill Clinton e teve por muito tempo de se explicar pela decisão de, na sequência da “Tempestade no Deserto”, não ter mandado suas tropas até Bagdá para derrubar Saddam Hussein, algo que seu filho faria em 2002.

Bush nasceu em 12 de junho de 1923 em família abastada e influente da elite da Nova Inglaterra. O pai, Prescott, foi banqueiro e senador. Frequentou excelentes escolas, e se formou em economia por Yale.

No dia seguinte ao ataque japonês a Pearl Harbor, com 18 anos, alistou-se na aviação da Marinha. Realizou dezenas de missões como piloto no Pacífico. Em uma delas, foi abatido em voo, mas um submarino o resgatou.

De volta à pátria, casou-se com Barbara Pierce (com quem teve seis filhos, uma das quais morreu de leucemia aos 4 anos), e resolveu se iniciar na vida empresarial, no negócio de petróleo no Texas, onde também começou a fazer política.

Tornou-se dirigente do Partido Republicano no estado, candidatou-se ao Senado federal em 1964, e perdeu. Dois anos depois, elegeu-se para a Câmara dos Representantes.

Em 1970, deixou-se convencer pelo então presidente Richard Nixon a tentar o Senado de novo, e foi outra vez derrotado. Como recompensa pelo sacrifício, Nixon o nomeou embaixador dos EUA junto às Nações Unidas.

Em 1972, ainda sob a proteção de Nixon, tornou-se presidente do diretório nacional do Partido Republicano; nesta condição, ajudou a negociar a renúncia de seu protetor antes do impeachment no caso Watergate.

Foto: EFE/EPA/MONICA M. DAVEY

Foto: EFE/EPA/MONICA M. DAVEY

Bush tentou ser escolhido vice-presidente de Gerald Ford, o sucessor de Nixon, mas não conseguiu. Ford lhe ofereceu a Embaixada em Paris, mas Bush diz ter pedido a China (“porque lá está o futuro”), e se tornou o primeiro representante dos EUA com status de embaixador em Pequim.

Outra posição importante que Ford lhe deu foi a direção da CIA, que sofria crise de prestígio devido a investigações sobre atividades ilegais. Bush se saiu bem neste cargo, elevando sua influência.

Assim, em 1980, ele se lançou candidato à Presidência. Mas perdeu as primárias para Ronald Reagan, que o convidou para compor a chapa com ele.

Nas duas administrações de Reagan, Bush foi discreto vice-presidente. Sua única missão de maior envergadura foi coordenar esforços para diminuir a entrada ilegal de drogas no país.

Com as bênçãos do popularíssimo Reagan, ganhou com facilidade a indicação republicana para concorrer à Casa Branca em 1988 contra o eleitoralmente fraco Michael Dukakis. Venceu com 53,4% dos votos populares e 426 dos 538 do Colégio Eleitoral.

Na campanha, entretanto, Bush disse uma frase que contribuiu muito para sua derrota em 1992: “Leiam os meus lábios: mais impostos, não”.

Parte da herança de Reagan foi um déficit orçamentário gigantesco, que Bush tentou conter por meio de um acordo com os democratas do qual constou aumento de impostos, além de cortes de despesas públicas.

Isso lhe custou intensa impopularidade entre os mais conservadores. A célebre promessa do “Leiam os meus lábios” foi repetidamente usada em 1992.

Além disso, boa parte do governo Bush transcorreu com a economia em crescimento modesto ou recessão moderada. Suas conquistas sociais (surpreendentes, se observadas da perspectiva atual), como leis de inclusão para deficientes físicos, para facilitar a entrada de imigrantes legais nos Estados Unidos e contra poluição do ar, não foram suficientes para animar seu eleitorado.

Mais do que tudo, pesou a presença de um terceiro candidato forte, Ross Perot, que recebeu 20% dos votos populares, quase todos de conservadores que provavelmente teriam votado em Bush.

Bush foi ex-presidente discreto como havia sido vice, mesmo nos dois governos do filho. Limitou-se a liderar missões humanitárias, algumas junto com Bill Clinton, de quem se tornou amigo.

No ano passado, Bush pediu desculpas após mulheres o acusarem de tê-las apalpado durante sessões de fotos em 2014 e 2016.
O porta-voz Jim McGrath admitiu que Bush “havia batido de leve no traseiro de mulheres” como uma brincadeira para “deixar as pessoas à vontade”. “A qualquer um que ele tenha ofendido, o presidente Bush pede as mais sinceras desculpas.”

Por muito tempo, Bush pai manteve boa forma física. Comemorou 85 anos com um salto de paraquedas.

Frequentemente pescava e navegava na costa de Kennebunkport, no estado de Maine, o lugar de que mais gostava e onde dizia querer passar os últimos dias de sua vida.

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