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Em ano de eleições, TV deu fôlego a programas cômicos e jornalísticos

Da Redação. Publicado em 27 de dezembro de 2018 às 20:26.

Foto: Reprodução/Internet

GUSTAVO FIORATTI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Seria bem possível dizer que 2018 foi o ano das mulheres na TV, mas essa constatação, que leva em consideração o crescente número de protagonistas femininas em dramas e comédias da telinha, já foi cravada em 2017.

O início do ano foi carimbado com a manifestação de atrizes vestidas de preto na cerimônia do Globo de Ouro.

Só que o protesto em respostas às diversas denúncias de assédio foram reflexo de empoderamento, para usar uma terminologia em voga, de período imediatamente anterior.

A marca que de fato se impôs nos canais abertos, nos pagos e no streaming foi a reação à ascensão da direita no Brasil, nos EUA e em parte da Europa.

A política anti-imigração de Trump e os casos de crianças que foram separadas dos pais a partir de abril pelo governo americano resultaram em uma dose extra de agressividade contra o presidente republicano.

Stephen Colbert, no comando do “Late Show”, se destacou nesse contexto. John Oliver, do “Last Week Tonight”, também. Abriram-se brechas para ridicularizar a direita mundo afora, chegando, enfim, em outubro, à figura de Jair Bolsonaro, então candidato à presidência, retratado como um verdadeiro mentecapto.

“Greg News”, com Gregorio Duvivier, foi na mesma linha. “Que vontade de cometer um Bolsocídio”, disse o comediante em programa que mostrou vídeo de Bolsonaro brincando com a palavra feminicídio.

Durante o período de campanha, a tensão cresceu mesmo no jornalismo da Record, com a imposição da direção para que a imagem de Bolsonaro fosse preservada. E o jornalismo da Globo, vejam só, acabou sendo tachado de esquerdista por eleitores do agora presidente eleito.

A cruzada chegou ao “Conversa com Bial”, que fez cautelosas associações entre o clima de 2018 e o de 1964.

Danilo Gentili despontou como simpatizante de Bolsonaro, mas os humorísticos acabaram em boa medida dando diretas e indiretas sobre o conservadorismo que amparou a vitória do presidente eleito.

PRINCIPAIS EMBATES

Negros x Novela ‘Segundo Sol’

Mal começou a novela das 21h na Globo, com sua história passada em Salvador (BA), ativistas e espectadores apontaram o deslize: a capital baiana tem uma das maiores populações negras do país, e sua representação não estava na tela. A Globo reconheceu o erro e declarou que, no decorrer da novela, daria mais espaço a atores negros.

Silvio Santos x Claudia Leitte
Em novembro, Silvio Santos disse no ar que ficava excitado com o corpo de Claudia Leitte, e ela deu o troco: “Agora eu acho que meu marido tem uma razão para ficar chateado”; depois, no twitter, declarou que se sentiu constrangida com a investida.

EleSim x EleNão
As comparações entre a cobertura das eleições pelo jornalismo da Record e o da Globo foram inevitáveis. Enquanto a Globo era atacada por eleitores de Bolsonaro, a Record produzia reportagens pouco críticas, o que foi motivo de desconforto na equipe de jornalistas da emissora.

Foi assim x Não Foi Assim
A série “O Mecanismo”, da Netflix, foi acusada de fazer campanha contra o PT em ano de eleições. Um dos principais motivos foi a utilização de uma fala do senador Romero Jucá, sobre “estancar a sangria”, em referência às denúncias da Lava Jato. Na série, quem diz a frase é o personagem que corresponde ao presidente Lula.

Roda Viva x Augusto Nunes
O programa da TV Cultura foi criticado pelo jornalista Augusto Nunes, que foi o âncora até março. Nunes disse ao “Pingue-Pongue com Bonfá” que o conselho do Roda Viva pressionava a equipe para que fossem convidadas figuras políticas que tinham amizade com seus membros, o que a direção de jornalismo da emissora negou.

MELHORES DO ANO

‘American Crime Story: o Assassinato de Gianni Versace’
Com base em livro-reportagem sobre a morte do estilista italiano em 1997, a Fox fez uma das mais intrigantes séries do ano. A interpretação de Darren Criss para o psicopata que acaba matando um ídolo é sem dúvida um dos momentos altos do ano.

‘Arthur Miller: Escritor’
Filmado pela filha do autor de teatro americano (1915-2005), o documentário revela um perfil bastante íntimo do pai, marido e artista. Exibido pela HBO, o trabalho não se exime de trazer à pauta os anos em que Miller se deprime, não apenas por causa da morte da mulher, mas por se sentir descolado entre as novas linguagens do teatro.

‘Método Kominsky’
Como ser leve sem ser bobo. A série da Netflix, com Alan Arkin e Michael Douglas nos papeis principais, expõe o lado mais trágico da velhice sem perder o humor ou cair em pieguice. Tem também as participações preciosas dos atores Danny DeVito e Susan Sullivan.

‘Greg News’
O ator Gregorio Duvivier recriou na HBO formato que é comum nos EUA, comentando o noticiário com humor. A morte de Marielle Franco e Bolsonaro foram alguns temas de destaque. Quem acha que ele não bate na esquerda deveria assistir ao programa que, no YouTube, foi publicado no dia 29 de junho.

‘Vale Tudo’
Reprisada pelo canal Viva, essa é a novela das novelas. Conta a história de Raquel (Regina Duarte), que tem uma filha bem ousada (Glória Pires), para não usar aqui um palavrão. Ela vende a casa onde a mãe mora e parte com todo o dinheiro para o Rio, em busca de se relacionar com a alta sociedade. Aí entra em jogo Odete, a vilã magistralmente interpretada por Beatriz Segall.

‘Tá no Ar’
O humorístico da Globo com Marcius Melhem e Marcelo Adnet anunciou sua última temporada para o ano que vem, mesmo tendo exibido boa forma neste ano. A TV é o foco.

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