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Rede de livrarias Saraiva pede recuperação judicial

Folhapress. Publicado em 25 de novembro de 2018 às 13:49.

Foto: Ascom

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EDUARDO MOURA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Após fechar 20 lojas em todo o país e ter uma proposta de acordo recusada pelo Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), a Saraiva entrou com um pedido de recuperação judicial nesta sexta-feira (23).

Trata-se de mais um capítulo do revés que atinge o ramo livreiro no Brasil. A centenária rede de livrarias acumula dívida de cerca de R$ 675 milhões.

Com a aprovação do pedido, as dívidas existentes até esta sexta serão suspensas e pagas de acordo com o plano. Caso descumpra o compromisso, credores podem pedir a falência da Saraiva.

“A gente reconhece que o ambiente é desfavorável, mas nossas expectativas são positivas”, diz Ismael Borges, gestor da Nielsen e responsável pela ferramenta Bookscan. “Não acreditamos na hipótese de a Saraiva fechar.”

A Cultura, que junto com a Saraiva domina o mercado de redes de livrarias, entrou com pedido de recuperação judicial no fim de outubro.

A Saraiva informou, em nota: “Optamos por esse movimento devido à necessidade da companhia em buscar proteção para a repactuação de seu passivo junto aos seus fornecedores e garantir a perenidade da operação”.

“É uma questão de ‘timing’. Se tivéssemos negociado na época da Copa do Mundo, teríamos tido tempo”, diz Marcos da Veiga Pereira, presidente da Snel e dono da Sextante.

Para ele, o pedido de recuperação judicial é uma forma de “estancar a sangria”, ou seja, uma medida de curto prazo para garantir o abastecimento de livros para períodos fundamentais para a indústria: Natal e volta às aulas. O longo prazo -e como a empresa conseguirá de fato se recuperar-, porém, ainda é incerto. “Depois tem que ver qual é o plano”, diz Pereira.

O comunicado da Saraiva diz que “o plano de recuperação será apresentado aos credores em breve, no momento oportuno”, sem dar detalhes.

“O que não está muito claro para ninguém é como vai ser o cotidiano de tudo isso, na pratica”, diz Cassiano Elek Machado, diretor editorial da Planeta.

O mercado funciona, em grande parte, pelo modelo de consignação, ou seja, as editoras emprestam os livros às livrarias, e só são pagos aqueles que forem vendidos -os pagamentos podem demorar meses para ser efetuados.

Como as duas maiores redes de livraria do país estão em situação financeira periclitante, Machado acredita que “editoras não vão querer continuar fornecendo sob o regime de consignação”.

“A recuperação judicial não altera, de forma alguma, o funcionamento da operação da Saraiva”, diz o comunicado.

O pedido agora será avaliado pela Justiça, o que deve ocorrer ainda neste mês. Laura Bumachar, especialista em direito empresarial, diz que esse tipo de processo costuma ser longo.

“De nada adianta pedir recuperação judicial se você não tem como se recuperar.”

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