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Filho de Bolsonaro diz que reforma da Previdência talvez não seja aprovada

Folhapress. Publicado em 29 de novembro de 2018 às 8:18.

Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados/Arquivo

JÚLIA ZAREMBA
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou para uma plateia de empresários e investidores em Washington, nos Estados Unidos, nesta terça-feira (27), que o governo talvez não consiga aprovar a reforma da Previdência no Congresso.

A palestra, que reuniu cerca de 50 pessoas, foi organizada pelo Brazil-US Business Council, organização que busca fortalecer as relações entre os dois países.

A declaração, divulgada pelo O Estado de São Paulo, foi confirmada por três pessoas que participaram do encontro ouvidas pela reportagem. Uma gravação com um trecho do discurso de Eduardo foi divulgado durante a tarde pelo jornal.

“Nós estamos tentando fazer o nosso melhor. Se não tivermos uma vitória, sinto muito, fiz a minha parte”, afirmou. “Nunca virei aqui, sorrindo para vocês, para dizer ‘ah, nós vamos facilmente fazer uma reforma da Previdência. Não. Será difícil, será uma luta, talvez não consigamos fazer isso, mas nós vamos fazer o nosso melhor.”

Eduardo disse ainda que a melhor reforma da Previdência é a que consegue ser aprovada pelo Congresso, não necessariamente aquela que os técnicos consideram melhor.

Na avaliação de um empresário que esteve no evento, a declaração do parlamentar demonstrou despreparo. Numa situação dessas, disse, deveria ter mostrado mais firmeza e apresentado metas.

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, também foi muito citado no encontro. Eduardo disse que ele teria um “blank card” (cartão branco, em vez de cheque em branco) para fazer o que quiser na área econômica, segundo um participante.

A expressão causou certa confusão entre americanos que estavam na plateia, que não entenderam bem o que queria dizer.

Uma das três perguntas feitas pela plateia foi sobre o projeto de lei que proíbe o capital estrangeiro na assistência à saúde, mas ele não respondeu diretamente sobre a questão.

Outro tema levantado foi a restrição à compra de terras no Brasil por estrangeiros. Também não foi direto na resposta e começou a discorrer sobre a China. Ecoando discurso do pai, afirmou que o país asiático estava “comprando o Brasil” e que tinha intenção de tornar os Estados Unidos o principal parceiro comercial do país.

Não criticou o Mercosul, mas afirmou que o bloco não poderia impedir eventuais acordos bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.

Falou ainda sobre Sérgio Moro, a restauração da credibilidade do governo, o desejo de aumentar as privatizações e que a Venezuela será prioridade na nova gestão.

Sobre o pai, disse que é “workaholic” e que terá de passar duas semanas afastado após a cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia, marcada para janeiro.

O evento durou cerca de uma hora e meia e não foi aberto para a imprensa. Um participante criticou o fato de Eduardo não ter entendido algumas questões postas pela plateia e de ter sido muito genérico nas respostas.

Avaliou, contudo, que a plateia considerou positivo esse primeiro passo de aproximação com os Estados Unidos, e que outros debates devem ocorrer no futuro.

O deputado chegou aos Estados Unidos na segunda (26) com o objetivo de “resgatar a credibilidade brasileira” no país. A programação em Washington incluiu encontros com autoridades na Casa Branca, no Departamento de Estado, no Conselho de Segurança Nacional e até o jantar de aniversário do ex-estrategista de Donald Trump, Steve Bannon.
Eduardo está agora em Nova York. A agenda da viagem não foi divulgada.

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