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Marcos Valle, João Donato, Roberto Menescal e Carlos Lyra mantêm a bossa nova

Folhapress. Publicado em 25 de outubro de 2018 às 16:47.

FABIANA SCHIAVON
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A bossa nova está viva e sempre se reinventando, segundo o músico Marcos Valle.

Ele e os companheiros João Donato, Roberto Menescal e Carlos Lyra lançaram uma reedição do disco “Os Bossa Nova”, de 2008.

Com faixas novas, o quarteto aproveita o álbum para celebrar os 60 anos do gênero, e uma nova desculpa para fazer mais shows, quando a agenda assim permite.

“Quando lançamos a primeira edição, estávamos todos trabalhando muito em seus projetos individuais. Quando a bossa nova fez 60 anos, a gente viu todos os motivos para fazer um relançamento, até para colocar mais músicas e também trazer para o disco para o palco”, afirma Marcos Valle.

O disco traz de volta alguns clássicos do quarteto, como “Vagamente” (Roberto Menescal/Ronaldo Bôscoli), “Até quem Sabe” (João Donato/Lysias Enio), “Samba do Carioca” (Carlos Lyra/Vinícius de Moraes), “Balansamba” (Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli) e “Gente” (Marcos Valle/Paulo Sérgio Valle), e agora com as faixas bônus “Último Aviso” (João Donato e Marcos Valle), e “Sambeando” (Roberto Menescal e Carlos Lyra).

Se a bossa nasceu de encontros de Tom Jobim (1927-1994) com Vinicius de Moraes (1913-1980) e João Gilberto, ela continua sobrevivendo desses encontros.

“Sou da segunda geração da bossa nova, e o pessoal desse gênero se encontra muito. Logicamente, cada um tem seus shows solo, mas, às vezes, a gente faz shows em duplas também. Um convida o outro, conforme o seu projeto. Desde que entrei na bossa, temos encontros periódicos e que estimulam a gente a fazer algo novo com o seu parceiro. Isso é enriquecedor”. diz o músico.

Se o disco do quarteto ecoa a raiz da bossa, com canções suaves, Marcos Valle lembra que cada um deles abraçou um estilo diferente. Com a carreira internacional consolidado, Valle foi abraço pela nova geração.

“Cada um de nós tem um estilo diferente, mas a bossa nova é muito democrática e se dá muito bem com outros ritmos, como o samba e com os DJs, por exemplo. Minhas músicas são gravadas por rappers lá fora, como o Kanye West, porque eles enxergam a qualidade da bossa para unir ao trabalho deles. Quando eu toco na Europa, há mais jovens na plateia, e todo mundo fica em pé”, lembra Valle.

Em 2012, West usou partes da canção “Bodas de Sangue” na música “News God Flow”, do disco “Cruel Summer”. Antes disso, Jay-Z usou trechos de “Ele e Ela”na faixa instrumental “Thank You”.

O GÊNERO E A ORIGEM DO NOME DO GRUPO

Conta Marcos Valle que a palavra bossa utilizada antigamente como sinônimo de novidade, de frescor.

“O termo no sinônimo nasceu em uma apresentação que reunia diversos cantores e músicos, como o Carlos Lyra, a Sylvia Telles e o Menescal. O cara do Clube Hebraica, aqui no Rio, não sabia como anunciá-los e disse que o grupo Os Bossa Nova iriam se apresentar. A partir daí, ficou adotado o nome do gênero”, conta Valle.

Mas o nome deste quarteto, no plural, Os Bossa Nova foi tirado do livro, conta Valle.

Em “Eis Aqui os Bossa Nova”, lançado em 2008, pelo crítico e musicólogo Zuza Homem de Mello.

“Ligamos para ele para pedir autorização para usar no nome nesse disco, e assim, o adotamos”, conta Valle.

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