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Historiador comenta sobre emancipação de Campina Grande

Da Redação. Publicado em 11 de outubro de 2018 às 13:45.

O historiador do Instituto Histórico de Campina Grande, professor Tomas Bruno, comentou sobre a história da Rainha da Borborema, que nesta quinta-feira, 11, onde a cidade completa 154 anos de emancipação política.

Segundo ele, já em 1699, época da colonização, uma carta do capitão-mor da Paraíba, Dom Manoel Soares de Albergaria, informava ao rei sobre a existência de uma ‘Campina Grande’.

– Teodósio de Oliveira Ledo [capitão-mor das Fronteiras dos Piranhas] estava na região de Pombal e veio para a Capital. Nesse caminho ele trouxe índios Ariús, que ficaram aldeados em uma tribo já existente em Campina, que são os índios Bultrins. Esses índios já eram amigos dos portugueses, já tinham uma relação. Essa aldeia é hoje onde fica a feira de frutas e a rodoviária velha. Como aqui passou a ser uma rota, Campina, com essa aldeia, passou a ter um destaque. Os portugueses quando vinha do sertão-litoral/litoral-sertão se abasteciam de farinha e outras roças que os índios já plantavam aqui– explanou.

Após isso, conforme o professor, foi feita uma missão em Campina Grande, onde foi construída uma capela, onde hoje está a igreja matriz Nossa Senhora da Conceição.

Foto: Paraibaonline

Foto: Paraibaonline

– Então, desde esse momento, Campina já era uma terra de forasteiros. Teodósio era forasteiro, os Bultrins eram forasteiros, os Ariús eram forasteiros. Quando chega em 1769 é criada a freguesia e anos depois a Vila Nova da Rainha, que é a instalação de uma Câmara, que é um conselho político de governantes; um julgado de paz  e um cartório. Já no século XIX, e 64 anos depois, temos a nossa emancipação política, onde Campina já era um ponto comercial e ponto de atração de comerciantes, pois fazia parte de uma rota que cortava os sertões nordestinos – explanou.

Por alguns anos, Campina Grande foi distrito do município de São João do Cariri, mas conseguiu se sobressair, onde possuía muitas fazendas e teve maior rebanho bovino de toda a região e da província, atraindo a emancipação e todo o poderio político e econômico.

O historiador também destaca a chegada do trem na cidade, e com isso houve “um bum comercial”, também graças ao chamado ‘ouro branco’, onde em 1919 houve a instalação de grandes prensas hidráulicas, diminuindo os tamanhos dos fardos de algodão, que não só vinham das regiões da Paraíba, mas também de outros estados.

– Essas pessoas que vinham de todo o interior nordestino, e quando chegavam aqui não voltavam de mãos vazias. Traziam algodão e levavam alguma coisa. Campina Grande se tornou então uma grande praça comercial, que chegou até ter rivalidade com a praça comercial do Recife. Campina Grande foi a capital econômica do estado até 1965. Tanto é que a Fiep, e outras instituições, nasceram aqui. João Pessoa era só o administrativo – explicou.

Após isso, conforme Tomas, a cidade se transforma por completo com o sistema algodoeiro e a presença dos senhores do algodão, que na época gastavam muito dinheiro em cassinos, grandes restaurantes, destacando o Cassino El Dourado, que era visitado por muitos senhores de engenho de todo o Nordeste.

Também destacou o Açude Velho, bem como, em 1917, a construção do açude de Bodocongó.  Depois a construção de Vaca Brava em 1939, e em 1957 o açude de Boqueirão, que abastece a cidade até hoje.

As declarações repercutiram na Rádio Caturité AM.

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