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Alckmin tem o pior desempenho para o PSDB, que racha

Da redação com Folhapress. Publicado em 8 de outubro de 2018 às 9:15.

Foto: Reprodução/ Internet

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THAIS BILENKY
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Com menos de 5% dos votos, o candidato Geraldo Alckmin sofreu neste domingo (7) a pior derrota do PSDB em eleições presidenciais de sua história. Segundo sua equipe, o tucano ficará neutro no segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

Em pronunciamento no comitê, no Edifício Joelma, no centro da capital paulista, ele transmitiu “absoluto respeito pelo resultado das urnas, a manifestação dos eleitores” e destacou a sua “serenidade como democratas que somos e humildade”. “Percorremos os quatro cantos do país dialogando com a população”, disse.

O desempenho de Alckmin foi particularmente pífio em São Paulo, estado que governou quatro vezes. Não venceu em nenhum dos 645 municípios –nem em sua Pindamonhangaba, onde Bolsonaro obteve 60% dos votos.

Com o resultado, o tucano fica sob pressão do grupo de João Doria (PSDB) para deixar o comando nacional da sigla. Se vencer a disputa do governo de São Paulo no segundo turno, o ex-prefeito administrará o segundo maior Orçamento do país.

O cargo o fortalecerá no PSDB, que nacionalmente sofreu derrotas na eleição deste domingo. Caciques como Beto Richa (PR) e Marconi Perillo (GO) não conseguiram vagas no Senado.

Na corrida para governador, o resultado em Minas Gerais é ruim para Alckmin, que confiava em vitória possivelmente no primeiro turno de Antonio Anastasia (PSDB). Segundo colocado, ele vai ir ao segundo turno com o outsider Romeu Zema (Novo).

Alckmin foi eleito presidente do PSDB em dezembro de 2017 para um mandato de dois anos. A nova geração de tucanos paulistas em postos-chave já se articula para ascender internamente.

Formam uma trinca com Doria os prefeitos Bruno Covas, da capital, que assumiu o cargo quando o titular renunciou, e Orlando Morando, de São Bernardo do Campo, primeira e segunda maiores cidades administradas pelo PSDB, respectivamente.

“Acredito que Geraldo vai ele próprio reavaliar se deve continuar na presidência do PSDB”, afirmou Morando.

Neste domingo, Doria montou estrutura separada de Alckmin para o pronunciamento após a votação. É reflexo de meses de campanhas apartadas, com escassas agendas conjuntas.

Apesar dos constrangimentos, o ex-prefeito acompanhou o presidenciável em sua seção eleitoral de manhã, pouco após dizer que votaria nele por solidariedade. Alckmin não quis comentar a declaração, mas a senadora eleita Mara Gabrilli (PSDB) rebateu Doria. “Eu não voto por solidariedade, voto por convicção.”

Um dos principais motivos apontados para a derrota de Alckmin foi justamente o cenário em São Paulo. Sem conseguir evitar o palanque duplo, o ex-governador viu sua antiga base aliada ruir no estado, administrado pelo PSDB por 24 anos.

A disputa entre Doria e o governador Márcio França (PSB) fez com que Alckmin sumisse. Sem aparecer nos programas eleitorais nem ser citado em debates, perdeu terreno para Bolsonaro.

A derrota em casa também foi apontada como decisiva em 2014, quando o então candidato tucano, Aécio Neves, perdeu em Minas Gerais para Dilma Rousseff (PT). Mas, naquele ano, Aécio passou ao segundo turno e chegou perto da vitória, com 51 milhões de votos, 48% do total.

Antes de Alckmin, o pior desempenho do PSDB fora na eleição presidencial de 1989. Mario Covas acabou em quarto, com 11,5% dos votos, entre 22 candidatos.

Depois dele, Fernando Henrique Cardoso ganhou no primeiro turno em 1994 e 1998. O senador José Serra, duas vezes, e o próprio Alckmin foram para o segundo turno nas disputas seguintes.

Com quase metade do horário eleitoral e a maior coligação da corrida presidencial, o tucano começou a corrida com status competitivo.

Nas últimas duas semanas, porém, sem subir nas pesquisas, começou a ser abandonado por aliados. Suas agendas públicas não atraíram grandes plateia e poucos políticos de expressão o acompanhavam. Hostilidades e menções a Bolsonaro, embora pontuais, permearam a campanha.

Colaboradores de Alckmin atribuem o desempenho em parte à facada desferida contra Bolsonaro em 6 de setembro, em Juiz de Fora (MG). Internado, em estado de saúde inicialmente delicado, o candidato do PSL foi poupado de ataques dos adversários.

Interlocutores do tucano avaliam que a retomada da ofensiva, cerca de dez dias depois, chegou tarde, e responsabilizam o PT, que se absteve de criticar Bolsonaro, deixando a tarefa ser executada unicamente pelo tucano.

O PSDB foi fator de desgaste para candidatos tucanos em geral pelo país. A Lava Jato envolveu caciques como o próprio Alckmin e Serra. Aécio se tornou réu por corrupção, Richa foi preso temporariamente e Perillo, alvo de investigações.

Além disso, a participação no governo Michel Temer (MDB), o mais impopular da história, pesou contra os tucanos. Embora nunca tenha defendido a indicação de ministros ao governo nem tenha atuado em defesa de Temer nas duas denúncias contra ele, Alckmin acabou precisando responder pela decisão partidária reiteradas vezes nos últimos meses.

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