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Aécio é hostilizado em local de votação em Belo Horizonte

Da Redação. Publicado em 7 de outubro de 2018 às 18:01.

DANIEL CARVALHO E CAROLINA LINHARES

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) – O senador Aécio Neves (PSDB), candidato a uma vaga de deputado federal por Minas Gerais, foi hostilizado ao chegar para votar no fim da tarde deste domingo (7) em uma escola na zona centro-sul de Belo Horizonte.

Aécio chegou para votar pouco depois das 16h. Auxiliares do senador estavam na Escola Estadual Governador Milton Campos desde cedo aguardando diminuir a fila na seção.

Assim que entrou no colégio, Aécio foi vaiado e começaram os xingamentos. Ele foi hostilizado até mesmo enquanto votava. Cheirador, ladrão, bandido, safado, safadão, golpista, traidor, corrupto e filho da puta foram alguns dos nomes dirigidos a ele.

Foto: Fred Magno/O Tempo/Folhapress

Foto: Fred Magno/O Tempo/Folhapress

Os eleitores cantaram uma marchinha de Carnaval popular em Minas que associa Aécio ao senador Zezé Perrella (MDB-MG) e ao consumo de cocaína.

Uma garrafa plástica de água foi atirada em direção ao tucano. Um manifestante cuspiu duas vezes, mas não atingiu o senador. Durante o tempo em que esteve na escola, Aécio sorriu para os críticos.

“Vamos deixar as urnas abrirem, esta será a recepção adequada. Isso é democracia. Vamos aguardar o resultado das urnas. Estou muito feliz com a acolhida que tive em todo o estado”, disse Aécio.

Aécio foi saudado apenas por homens que o acompanhavam e alguns poucos eleitores.

“É da democracia. Hoje está acontecendo isso no país inteiro. Respeito muito as posições ao contrário, respeito as posições a favor. É da democracia. É o que o país está vivendo”, afirmou o senador, antes de fazer críticas ao PT.

“Lamento apenas que, nas últimas eleições presidenciais, tivemos uma eleição corrompida. Segundo o coordenador da campanha de Dilma Rousseff, doutor Palocci, R$ 800 milhões do dinheiro da propina. Isso sim é um crime que precisa ser investigado e punido”, disse Aécio, referindo-se à disputa que perdeu para Dilma em 2014.

Questionado sobre quem ele e o PSDB apoiariam no segundo turno, desconversou.

“Estamos ainda no primeiro turno. Vamos aguardar. PT jamais”, afirmou.

Réu no STF (Supremo Tribunal Federal) por corrupção passiva e obstrução de Justiça, Aécio tornou-se um problema para seu partido desde que foi gravado em conversa com o empresário Joesley Batista, da JBS, em que o senador pede R$ 2 milhões sob o pretexto de pagar advogados.

Aécio fez uma campanha nas sombras, longe de multidões e de jornalistas. O primeiro ato foi em uma escondida fazenda em Teófilo Otoni, no norte de Minas, a 450 km de Belo Horizonte, que tinha um motel como ponto de referência.

O mistério deu o tom até neste domingo. Ao contrário do que acontece com qualquer político de relevância, nem mesmo o horário de votação do tucano mineiro havia sido divulgado.

O Aécio que disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados em nada lembrou o altivo senador que, desde que foi derrotado por Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial de 2014, estava sempre a postos para fazer pronunciamentos, especialmente quando o alvo era o PT.

Segundo correligionários, Aécio pediu votos em contatos por telefone, em pequenas reuniões e em aparições na internet, onde, sem poder ser diretamente contestado, falava sobre temas variados, sem qualquer relação com política ou administração pública, como, por exemplo, cinema.

Aécio cogitou disputar uma vaga no Senado, desafiando mais uma vez Dilma Rousseff. Mas o senador Antonio Anastasia (PSDB) impôs a condição de que o correligionário não disputasse um cargo majoritário para que ele aceitasse disputar o governo do estado novamente.

Foi pelas mãos de Aécio que Anastasia chegou ao Palácio da Liberdade pela primeira vez, em 2010. Desta vez, o padrinho foi escondido sob o slogan “Anastasia é Anastasia”.

O “fator Aécio” também é listado por aliados como um dos ingredientes para o mau desempenho de Geraldo Alckmin (PSDB) na eleição presidencial deste ano.

Correligionários dizem que o sucesso de Aécio, apesar de todo este desgaste, se deve ao recall do período em que Aécio foi governador.

De 2003 a 2010, a economia brasileira ia bem e o tucano mantinha uma boa relação com o então presidente Lula. À frente do governo mineiro, Aécio conseguiu levar obras para vários municípios do interior do estado, o que pulveriza os votos de agradecimento que ele tem.

Mas se esta pulverização pode ter ajudado Aécio numa eleição proporcional, não agradou outros candidatos que tentavam uma cadeira na Câmara, já que suas bases eleitorais foram invadidas pelo novo adversário.

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