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Zé Dirceu: “O que precisa se acabar no Brasil é a hipocrisia”

Da Redação de João Pessoa (Hacéldama Borba). Publicado em 22 de setembro de 2018 às 10:40.

Foto: Paraibaonline

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“O que precisa se acabar no Brasil é a hipocrisia”. Foi como reagiu o ex-ministro José Dirceu, agora escritor, em relação ao posicionamento dos ministros do STF indicados pelo Partido dos Trabalhadores, que atuaram nos processos contra o ex-presidente Lula, que está preso em Curitiba, o que ele considera uma das maiores injustiças da Justiça brasileira a um político.

Dirceu veio a João Pessoa para lançar o seu primeiro livro autobiográfico intitulado, Zé Dirceu – Memória Volume I, cuja capa traz uma antiga fotografia dele fumando um cigarro.

Em entrevista coletiva com imprensa realizada na sede do PT, Zé Dirceu falou de diversos momentos da política brasileiro e sobre o caos em que se encontra o país após o impeachment da Dilma Rousseff e a prisão de Lula em Curitiba, sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro.

“Eles que têm que responder sobre seus posicionamentos. Por que quê eles mudaram? Eles eram todos progressistas, com participação democrática garantista, alguns eram suplentes de deputados do PT e outros vieram do PC do B e outros fizeram toda militância ao lado da esquerda e chegaram no Supremo e mudaram e o mais grave: mudaram para ser coniventes com o golpe de Estado, com legalidades em relação à Constituição. O que precisa se acabar no Brasil é a hipocrisia”, disse.

Segundo ele, a direita só quer indicar ministros que estejam de acordo com ideais dela e o PT deveriam ter indicado ministros de acordo com as idéias do partido, mas o fato é que não tinha maioria no Senado e o presidente da república não tem poder absoluto para indicar ministros do Supremo Tribunal Federal.

“Até porque tem os governadores, tem os próprios ministros do STF, do STJ, os escritórios de advocacias, tem os sindicalistas, os empresários. É algo bem complexo as indicações”, explicou.

Dirceu revela que escreveu sobre isso no livro e acha que o PT não se preparou suficientemente para isso, o qual ele considera um dos erros do partido.

“Eu chegue a propor que nos preparássemos para isso porque em outros países há um setor só pra cuidar disso, ou seja, para cuidar do acompanhamento de quem são os juízes candidatos para se ter uma segurança, já que é um poderes discricionário exclusivo do Presidente da República submetido à sansão do Senado. Tem que se fazer as indicações corretas”, destacou.

Foto: Paraibaonline

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Dirceu falou ainda sobre a forma como saiu do governo Lula. Para o ex-ministro, o governo errou, o partido errou e muito porque não se preparou, não tinha o estado maior, não tinha uma estratégia e não tinha uma tarefa para ele. Contudo, confessa que chorou muito porque tudo parecia um pesadelo até por conta do papel que exerceu não só no governo do PT, mas contra a ditadura, na luta das Diretas e sua participação terminou de maneira vã.

“ Eu dei a minha vida pelo PT. O governo achou que eu era o problema e outros e não entenderam a natureza do mensalão, que desembocou com a prisão do Lula. Veja que tem uma linha de continuidade. A tentativa do PSDB de fazer o impeachment do Lula, o desgaste dele e eu tratei isso no livro de uma maneira objetiva, política, mas eu não fiquei ressentido e nem magoado com os assuntos da política porque se tivesse ficado, eu já tinha morrido de AVC ou de câncer há muito tempo. Eu olho pra frente, vivo o presente e aprendo com o passado. Mas se eu falar que eu não senti nada, eu estaria mentindo”, completou.

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