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Aos gritos de Bolsonaro, Alckmin é vaiado em evento de evangélicos

Da Redação. Publicado em 27 de setembro de 2018 às 22:51.

Foto: Ascom

HAIS BILENKY E CAROLINA LINHARES

SÃO PAULO, SP, E BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) – O candidato Geraldo Alckmin (PSDB) foi hostilizado no palco de um evento evangélico na manhã desta quinta (27), em São Paulo. O público da Expocristã o vaiou e gritou o nome de seu adversário Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas.

Diante da adversidade, o tucano fez uma fala conciliatória pedindo orações para o país e foi aplaudido ao final. “A única coisa que peço é a oração de vocês para que Deus ilumine a todos os brasileiros e brasileiras. Feliz a nação cujo Deus é o Senhor”, declarou.

A hostilidade começou quando quem discursava era o candidato a governador João Doria (PSDB). Diferentemente de outros oradores, que se referiram a Alckmin apenas como ex-governador, Doria cumprimentou “o próximo presidente Geraldo Alckmin”.

Em ambiente simpático ao capitão reformado do Exército, o público reagiu com gritos do nome de Bolsonaro.

Quando o tucano subiu ao palco, instantes depois, foi novamente vaiado.
“O que eu vi aqui foi uma plateia bem divida”, disse Alckmin na saída a jornalistas. É que você tem um pessoal mais ruidoso.”

Aliado de Bolsonaro, o senador Magno Malta (PR-ES) foi ovacionado efusivamente ao subir ao palco dizendo representar o candidato, ainda internado.

Pastor, Malta discursou contra a chamada ideologia de gênero e foi aplaudido ao definir que “a família tradicional é macho e fêmea, ponto”.
Então mencionou o atentado a Bolsonaro, esfaqueado em Juiz de Fora (MG) no dia 6 de setembro.

“Temos um homem esfaqueado em praça pública. Por quê? Só porque falou essas coisas. ‘Não, mas ele incita a violência…’ Mas não tomou um tiro no peito, tomou uma facada. E agora vão proibir faca nos restaurantes? Nos frigoríficos, nos restaurantes? Vamos tirar as facas de dentro de casa?”, discursou.

Encerrou com o slogan da campanha do PSL, “O Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Doria começou e terminou sua fala com a saudação “a paz de Cristo”. Disse que tem “participado sistematicamente de cultos evangélicos em São Paulo há três anos” e frisou que vai porque gosta.

“Continuem a me convidar, porque eu lá estarei, não na condição de político, de ex-político, de candidato. Mas de cristão”, pediu.

Mudando de assunto, Doria incentivou o comparecimento às urnas. “Seja qual for o seu candidato, vote. Vote pelo Brasil.”

Afilhado político de Alckmin, Doria pouco se engajou em sua campanha presidencial no maior colégio eleitoral do país. As duas candidaturas correm praticamente apartadas.

Representando o adversário do tucano Márcio França (PSB), a primeira-dama Lúcia França fez um discurso de superação e o poder de Jesus.

O evento foi iniciado com o hino do Brasil e uma oração do apóstolo Estevam Hernandes. Depois das falas políticas, o mestre de cerimônias pediu respeito às diferenças.

À tarde, Alckmin minimizou as manifestações de apoio a Bolsonaro por parte da coligação tucana em Minas Gerais, durante caminhada na periferia de Belo Horizonte.

“Não tem a menor importância. Infelizmente, no mundo inteiro, não só no Brasil, a cobertura de imprensa é a futrica da corte. Isso ocupa um espaço enorme, não tem o menor interesse para a população”, disse.

Marcos Montes (PSD), candidato a vice na chapa de Antonio Anastasia (PSDB), que concorre ao governo, afirmou que é preciso dar as mãos a Bolsonaro caso Alckmin não chegue ao segundo turno.

Anastasia reagiu: “Ele se referia a uma hipótese que não vai se configurar”.
Candidato ao Senado na chapa, Dinis Pinheiro (SD) já gravou vídeo com Bolsonaro em apoio mútuo.

Dinis e o outro candidato ao Senado da coligação, Rodrigo Pacheco (DEM), não estavam presentes, mas foram saudados por Alckmin no início de sua fala à imprensa.

Havia, porém, claque de Pacheco e apenas duas bandeiras de Dinis.
“Isso já foi esclarecido, está superado, nós continuamos crescendo e temos uma das menores rejeições”, continuou Alckmin sobre as traições.

O tucano voltou a se colocar como terceira via entre os mais bem colocados nas pesquisas, Bolsonaro e Fernando Haddad (PT), espaço que disputa com Ciro Gomes (PDT).

“Chegando no segundo turno é o caminho pra derrotar o PT. Também não acredito no caminho do Bolsonaro. Cada bala disparada do revólver da maldade do Bolsonaro atinge a população”, disse, lembrando a fala do vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão (PRTB) contra o 13º salário.

Questionado sobre a entrevista do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) à Folha de S.Paulo, afirmando que o partido deve parar de criticar Bolsonaro e voltar-se contra o PT, Alckmin disse que atinge ambos.

“O Fernando Henrique colocou bem, precisamos evitar a insensatez”, disse.
Alckmin mostrou otimismo com o segundo turno, dizendo que, nos últimos dias “mudou o cenário, mudou a rua, mudou o humor”.

Ele ainda listou propostas de saúde e segurança antes de começar a caminhada por comércios populares do Barreiro, cercado de seguranças e apoiadores.

Foi o primeiro compromisso de rua de Alckmin em Belo Horizonte. Após andar um quarteirão e meio, entrou em uma padaria onde comeu pão de queijo e tomou café.

Na padaria, houve um grito de “Lula livre”, abafado por “Fora, PT” e “vai pra Cuba” de apoiadores tucanos. De lá, Alckmin entrou em uma van e se despediu.

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