Fechar

Fechar

Alckmin vai centrar fogo no PT e em Bolsonaro na reta final da campanha

Da Redação. Publicado em 15 de setembro de 2018 às 19:12.

Foto: Ascom

Foto: Ascom

IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Candidato a presidente com maior estrutura à disposição mas registrando desempenho pífio nas pesquisas, Geraldo Alckmin (PSDB) apostará na intensificação do bombardeio contra Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) na reta final da campanha do primeiro turno.

A leitura em favor do tudo ou nada foi reforçada pela pesquisa do Datafolha publicada na sexta (14). Nela, Alckmin oscilou negativamente, de 10% para 9%, enquanto Bolsonaro mostrou-se estável em confortáveis 26% e Haddad saltou de 9% para 13%, empatando numericamente com Ciro Gomes (PDT).

Para o comando tucano, a estabilidade da rejeição ao líder das pesquisas em 44% e o fato de que 98% dos brasileiros não mudaram de voto devido à facada que o deixou hospitalizado desde o dia 6 permite detonar uma nova rodada de inserções e falas contra ele.

A estratégia desagrada Alckmin, que sempre prega recato nessas horas e vem vetando reiteradamente peças publicitárias mais agressivas desde que Bolsonaro foi atacado em Juiz de Fora.

Mas a avaliação de que há votos a serem colhidos nas franjas menos convictas do eleitorado do deputado e a avaliação sobre sua rejeição aumentaram a pressão de aliados para que ele aceitasse uma guinada mais agressiva. O primeiro turno é daqui a três semanas, afinal.

Isso foi definido na sexta-feira (14), e dois filmes mais incisivos contra Bolsonaro foram enviados para a Justiça Eleitoral visando o fim de semana, mesmo antes da publicação da pesquisa do Datafolha que mostrou o impacto nulo do atentado em intenções de voto.

Neste sábado (15), Alckmin já fez discurso em campanha atirando para ambos os lados, enquanto aliados seus faziam reuniões para discutir a modulação dos ataques em São Paulo.

Para um dos decanos do tucanato, o ex-governador paulista Alberto Goldman, o foco deveria ser todo no PT, já que, na sua visão isso drenaria naturalmente apoio de antipetistas hoje com Bolsonaro. “Falta sincronização com o sentimento de indignação da população. Precisamos lembrar que a situação está ruim como está devido a quatro governos do PT.”

A tentativa de desconstrução de Bolsonaro passa por caminhos conhecidos, como a rejeição de 49% das mulheres ao deputado. Mas também por novos, como seu vice, o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), que deu novamente declarações desastradas ao defender uma nova Constituição sem a necessidade de uma Constituinte composta por “eleitos pelo povo”.

A campanha poderá lembrar o eleitor três vices assumiram que o poder no Brasil desde 1985, e que Mourão, defensor de intervenções militares em casos extremos, pode não ser exatamente um modelo de democrata para o cargo.

O trabalho parecia mais simples quando Bolsonaro tinha 15% de intenção de voto espontânea. Com 22%, o desgaste dessas margens tende a ser mais difícil, mas o tucanato acredita que há tempo útil para isso ocorrer.

No caso do PT, a artilharia verbal já começou após a oficialização de Haddad na vaga de Luiz Inácio Lula da Silva, impedido de concorrer por ser condenado em segunda instância, na terça (11).

Começou com a tentativa de jogar no colo do PT a impopularidade de Michel Temer (MDB), que era vice da petista Dilma Rousseff, impedida em 2016. Deverá passar pela associação de Haddad à própria Dilma, ela também um fracassado “poste do Lula”, na mesma linha de ataques já usada por Ciro.

A lógica tucana é estimular o voto útil contra o PT. Há pontos preciosos no campo conservador ainda na mão de adversários nanicos nas pesquisas, como Alvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo). Cada um tem 3%, um bloco nada desprezível a atrair.

Paradoxalmente, Alckmin precisa de um Haddad vitaminado. O previsível crescimento do ex-prefeito de São Paulo registrado pelo Datafolha tende a reforçar neste eleitorado antipetista o risco de uma eleição do candidato de Lula. A subida de sua rejeição em uma semana, de 22% para 26%, sinaliza essa tendência.

Também de forma não muito intuitiva, esse movimento pode ajudar o tucano a tirar votos de Bolsonaro devido ao mau desempenho do deputado fluminense nas simulações de segundo turno, ainda que ele tenha tido uma melhora discreta na pesquisa de sexta. “Só nós podemos derrotar o PT”, diz Goldman.

Daí a formulação “quem votar no Bolsonaro vai levar o PT para casa” que permeou o discurso do tucano e seus aliados da metade da semana passada em diante. A tática está dada, mas, como sabem os planejadores tucanos, ainda falta combinar com os eleitores.

Matérias Relacionadas
Simple Share Buttons

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube