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‘Querem inventar uma democracia sem o povo’, afirma Lula em carta ao PT

Da redação com Folhapress. Publicado em 5 de agosto de 2018 às 9:32.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Aclamado candidato do PT ao Planalto mesmo preso em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta à cúpula de seu partido neste sábado (4) em que afirmou que “querem inventar uma democracia sem povo”, na qual as pessoas podem ser impedidas de escolher livremente o próximo presidente da República.

No texto, lido pelo ator e militante petista Sérgio Mamberti, Lula disse que “já derrubaram uma presidenta eleita, agora querem vetar o direito do povo de escolher livremente o próximo presidente”. “Querem inventar uma democracia sem povo”, escreveu.

Preso há quatro meses para por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula tem coordenado, de dentro da cela, as principais movimentações da pré-campanha para abrir espaço a uma candidatura competitiva de seu partido. Seu nome deve ser impedido de concorrer com base na Lei da Ficha Limpa e, então, os petistas terão de lançar mão do plano B, que pode ser Fernando Haddad ou Jaques Wagner.

Na carta, Lula não fez menção a opções nem a sua possível impugnação e disse que a convenção do PT, neste sábado, é “o encontro mais importante de toda a história do partido”.

“Esta é a primeira vez em 38 anos que não participo pessoalmente de um encontro nacional do partido. Mas sei que estou presente por meio de cada um de vocês, cada dirigente, delegado e militante do PT”.

O ex-presidente, que resiste em indicar um candidato a vice na sua chapa ao Planalto antes de 15 de agosto, data final para o registro das candidaturas, pediu “o empenho de todos” na empreitada eleitoral deste ano.

No início da tarde deste sábado, Lula foi aprovado em votação simbólica por militantes e dirigentes do PT como o candidato do partido à Presidência da República.

Foto: Juca Varella/Agência Brasil

Foto: Juca Varella/Agência Brasil

Durante a convenção, a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann (PR), fez um discurso inflamado, em que repetiu que vai registrar o petista em 15 de agosto como uma afronta ao que chamou de “sistema podre”. Segundo Gleisi, não existe política no país hoje sem Lula ou sem o PT.

“É um momento histórico. Esta é a ação mais confrontadora contra esse sistema podre”, disse a presidente petista. “Eles não vão conseguir tirar Lula desse jogo. Não existe política nesse país sem falar de Lula e sem falar de PT”, completou.

Dirigentes do PT tentaram fazer do evento uma aclamação a Lula, sem discutir, no primeiro momento, divergências que rondam o partido desde sexta-feira (3), principalmente quanto à definição de um nome para vice na chapa petista e à candidatura de Marília Arraes (PT) ao governo de Pernambuco.

No entanto, ao longo de toda a manhã, em meio a vídeos e máscaras com o rosto do ex-presidente, dirigentes pressionavam a cúpula do partido, nos bastidores, a convocar uma reunião da executiva até segunda (6) para escolher um vice e evitar o confronto com a Justiça Eleitoral.

De outro lado, militantes gritavam o nome de Marília e iam contra a decisão da cúpula do PT de fazer um acordo nacional com o PSB, neutralizando a sigla na disputa nacional -o PSB estava perto de se aliar a Ciro Gomes (PDT)- em troca da retirada do nome de Marília na corrida em Pernambuco. Ali, Paulo Câmara (PSB) seria beneficiado em sua campanha à reeleição.

O ex-prefeito Fernando Haddad, possível plano B, também discursou. Afirmou que Lula “derrotou todos os golpistas” e que hoje está seguro de que o PT se encaminha para “o pentacampeonato eleitoral”.

“Vamos ganhar a quinta eleição consecutiva com Luiz Inácio Lula da Silva”, disse.

Já Jaques Wagner, também cotado como alternativa a Lula em caso de impugnação, não foi ao evento. A convenção do PT baiano também estava marcada para este sábado e Jaques é candidato ao Senado na chapa do partido no estado.

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