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Conselho de Educação de Campina é contra PL de “ideologia de gênero” nas escolas

Da Redação*. Publicado em 27 de junho de 2018 às 10:51.

A professora Margareth de Melo, do Conselho Municipal de Educação de Campina Grande, afirmou que o Conselho é contra o projeto de lei, aprovado na Câmara Municipal, que proíbe a “ideologia de gênero” nas escolas municipais.

Ela destacou que a lei coloca uma ‘mordaça’ nos professores, impedindo que eles façam um trabalho primordial no cotidiano escolar, que é discutir sobre as questões de gênero que está muito presente nas relações cotidianas.

Segundo ela, diariamente as crianças trazem problemáticas relacionadas ao gênero, e os professores não podem ficar omissos, frisando que desde a década de 90 essa temática foi definida como necessária e um tema transversal para as escolas do ensino fundamental I, II e ensino médio.

Foto: Reprodução/ Internet

Foto ilustrativa: Reprodução/ Internet

Margareth também destacou que a formação dos professores é muito importante nesse caso, tanto a feita na universidade como a formação continuada.

– Esse momento nos mostrou a necessidade de investir mais na formação dos professores. O professor que se deixa levar por informações errôneas na internet, ou por falas preconceituosas de religiosos levando a desinformação, isso mostra que o profissional precisa de mais formação sobre essas questões de gênero. Nós vimos a necessidade dessa formação, vamos trabalhar nesse sentido, para que os cursos de professores trabalhem essa temática – pontuou.

A professora destacou que o Conselho não está contra a família, e sim numa luta contra o machismo, contra a violência contra a mulher, a violência à criança e ao adolescente, a violência contra a comunidade LGBT, a pedofilia.

– Não podemos ficar calados no cotidiano escolar vendo as diversas situações que acontecem, como, por exemplo, uma criança chamando a outra de “viado”, um menino se recusando a comer em um prato cor de rosa. Que machismo é esse em que uma criança, desde a educação infantil, já vem trazendo para a sala de aula? Ninguém pode acreditar na possibilidade de um professor ser capaz de ensinar uma criança a ser gay, porque isso não é uma coisa que se ensina na escola. Nenhum professor da Educação Infantil traz esses temas para a sala de aula sem ser uma colocação da criança. Um professor quando vai discutir qualquer tema relacionado a sexualidade parte de indícios que a criança demonstra no cotidiano – explanou.

A professora e psicanalista Mirna Maracajá também comentou sobre o tema e afirmou que o projeto vai colocar em prática a “lei da mordaça”, tirando a autonomia do professor na sala de aula perante as temáticas suscitadas pelas crianças.

– Os professores da educação infantil precisam ser ouvidos, porque eles têm relatos de situações que vivenciaram que demonstram que a sexualidade já está presente desde os primeiros anos de vida. Os professores sabem como esses conteúdos vão sendo aflorados, e um projeto desse vai trazer essa limitação aos docentes e um prejuízo muito grande a essas crianças, que não terão a possibilidade de discutir sobre temas tão importantes e que farão parte de cidadãos conscientes que não ‘engrossem o caldo’ dessas estatísticas de violência entre gêneros – sublinhou.

*As declarações repercutiram na Rádio Correio FM, nesta quarta-feira, 27

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