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Colunista presta homenagem a ex-presidente da Associação Comercial de Campina Grande

Da Redação*. Publicado em 25 de junho de 2018 às 8:57.

Tive a oportunidade de conhecer o empresário José Borges de Medeiros no começo de minha atuação como jornalista em Campina Grande.

A sua fama era de uma liderança classista dura, inacessível, fruto da passagem por muitos anos pela presidência da Associação (atualmente sindicato) que reunia o setor de transportes coletivos.

Com a intensificação dos contatos e da convivência, foi possível observar que a aparência rude era, na verdade, uma espécie de ´casca´ de proteção para um caririzeiro que batalhou muito na vida para conseguir se estabelecer na atividade que escolheu se dedicar.

Veio a sua escolha para presidir a Associação Comercial de Campina Grande e o nosso contato se intensificou. Idem a admiração, recíproca.

“Meu pai queria muito bem a você”, observou o seu filho Geraldo Medeiros, no sábado.

´Zé Arlindo´, como era predominantemente chamado, gostava de conversar com as pessoas que admirava para resgatar passagens marcantes de sua vida.

Fazia isso por prazer pessoal e também como forma de aprendizado a quem o escutava.

Com o passar dos anos, a expressão impenetrável, como reportei acima, foi dando lugar à emotividade nos fatos que presenciava e nas tragédias que protagonizou, notadamente os netos e filho que perdeu num curto espaço de tempo, episódios que certamente afetaram e – diria – abreviaram a sua saúde e a sua vida.

Diante do avanço do quadro degenerativo próprio do ´mal de Alzheimer´, e de 46 dias de piora sucessiva de sua saúde, ´Zé Arlindo´ foi a óbito no sábado.

Foto: Paraibaonline

Foto: Paraibaonline

Nos momentos derradeiros da despedida, sobressaiu, em meio às dezenas de pessoas presentes ao velório, o olhar – às vezes fixo no caixão, às vezes mirando o infinito – de seu primogênito, o médico Geraldo Medeiros (diretor geral do Hospital de Trauma Dom Luís Fernandes).

Ele ficou o tempo todo em pé, próximo ao corpo do pai, com lágrimas discretas, mas incessantes.

Para melhor compreender aquela imagem marcante é preciso contextualizar a convivência entre pai e filho.

A devoção de ´Zé Arlindo´ ao Dr. Geraldo saltava aos olhos. Era “meu cristal”, na expressão do próprio pai.

Havia uma rotina própria entre ambos, que perpassou por muitos e muitos anos.

Por volta das 5h15 da manhã, religiosamente, Dr. Geraldo chegava à casa do pai para pegá-lo e seguirem juntos para a caminhada às margens do Açude Velho.

Além dos contatos ao longo do dia, era igualmente regular a passagem novamente na casa paterna no turno da noite.

Com a progressiva piora no estado de saúde do genitor, essa vinculação foi ainda mais estreitada, ao ponto de ´Zé Arlindo´ só aceitar ingerir qualquer medicação se houvesse a recomendação expressa do filho.

Nos quase dois meses de internação hospitalar, o acompanhamento foi intensificado.

Volto à imagem contemplativa do Dr. Geraldo diante do corpo do pai (foto).

A sensação, observando à distância, era de um dilema interior (e arriscaria dizer insolúvel) entre o profissional médico, consciente de que tudo o que havia de disponível para remediar aquele quadro havia sido feito, e o filho inconsolável pelo ocaso de uma amorosa e diária convivência.

A última imagem da cena de despedida foi um prolongado beijo do filho no pai e seu ídolo, com uma pergunta soluçada e para a qual a orfandade não tem resposta: “E quem vai caminhar comigo agora?”

*fonte: coluna Aparte, com o jornalista Arimatea Souza.

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