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Comandante da PM critica intervenção militar e defende porte de arma para cidadão

Da Redação*. Publicado em 23 de fevereiro de 2018 às 13:38.

O comandante-geral da Polícia Militar da Paraíba, coronel Euller Chaves, comentou sobre as declarações do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), que sugeriu que o Estado precisa de intervenção militar devido à insegurança, igualmente ao Rio de Janeiro.

Em entrevista nesta sexta-feira, 23, Euller afirmou que a questão do Rio de Janeiro é muito complexa, mas que a intervenção não vai resolver o problema de segurança pública.

– A pergunta que eu faço ao senador, a quem tenho respeito, gerou-se solução? O Rio teve mais de seis mil homicídios ano passado, uma taxa de 40 homicídios por 100 mil habitantes. Tem três vezes mais crimes contra o patrimônio do que a Paraíba. Os legisladores federais deveriam intervir em ações que validem as ações policiais. As polícias não podem ser desrespeitadas e penalizadas. Aqui na Paraíba temos mais de 20 mil armas apreendidas nos últimos sete anos, mais 14 toneladas de drogas, 14 mil pessoas entregues às delegacias – explanou.

Foto: Paraibaonline

O coronel criticou a legislação do país, afirmando que o trabalho da polícia é desfeito pelas leis, que soltam os suspeitos nas audiências de custódia.

Ele destacou que a intervenção deveria ser feita em áreas como educação, emprego e renda e ressocialização.

– Se você analisar esse contexto de legalidade protecionista à ação marginal, 95% das ações da polícia são desfeitas nas audiências de custódia e no pagamento de fianças. O principal instrumento do crime no país é a arma de fogo, 81% dos crimes, e a principal causa são as drogas. Onde estão os traficantes? Soltos. Porque eles têm a consciência de que ficarão impunes. A maioria dos crimes contra o patrimônio é feita por menores. E os menores são imunes. As intervenções precisam ser na área da educação, na área da quebra da impunidade, na área do desemprego, da ressocialização. Uma intervenção não resolve o problema do Rio, nem da Paraíba – pontuou.

Euller também comentou sobre a lei do desarmamento e frisou que é a favor que o cidadão esteja armado, mas que esta medida deve ser estudada.

Segundo ele, o cidadão de bem deve ser armado com os mesmos critérios e que devem ter o treinamento adequado para isso, além de haver as ações para o desarmamento dos criminosos.

– O cidadão precisa ter o treinamento adequado e a análise psicológica. O portador ilegal de arma de fogo deveria ser punido rigorosamente, cinco anos sem progressão de pena em regime fechado. Da mesma forma reconceituar o crime de tráfico. Alguém que porte meio quilo de qualquer droga ser considerado traficante. O país penaliza inadequadamente e não valida as ações da polícia. Em 2004, depois da lei do desarmamento, o crescimento começou tanto de crimes de homicídio como os de patrimônio. Em 2011, essa curva chegou ao ápice. Em 2015, as audiências de custódia, onde 50% da ação policial é desfeita. E tem mais, o policial ainda recebe reprimenda do magistrado ou do promotor. As pessoas precisam respeitar os profissionais da Segurança Pública e não simplesmente intervir, pois há uma quebra da linha de profissionalismo – externou.

As declarações repercutiram na Rádio Correio FM.

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