...

Campina Grande - PB

José Mário: Academia Paraibana de Letras chega aos setenta e seis anos de existência

16/09/2017 às 11:37

Fonte: Da Redação

Por José Mário da Silva (*)

A Academia Paraibana de Letras, seguramente a mais importante instituição cultural da Paraíba, chega, mercê de Deus e do devotamento dos que a integram, à longeva e fecunda idade de setenta e seis anos de idade, temporalidade essa infrangivelmente dedicada ao cultivo das artes, da cultura, das letras, enfim, de tudo o que confere ao homem, que é um ser “sujeito à injúria de tornar-se pó”, conforme acentua o realista verso de Lêdo Ivo, o singular privilégio da imortalidade, não a que se plasma no plano físico, mas, sim, a que se emoldura pelo cultivo da vida do espírito. Vida essa que pela força das suas efetivas realizações, emula contra a morte e finda fundando a sua própria eternidade.

Como preconizam os luminosos versos de lapidar poema de Fernando Pessoa, “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”, assim se configurou o surgimento da Academia Paraibana de Letras na já longínqua quadra cronológica dos anos quarenta, mais precisamente em setembro de mil novecentos e quarenta e um.

Fruto da ação comunitária de homens visionários e antecipadores de caminhos, a exemplo de Coriolano de Medeiros, Mathias Freire, Horácio de Almeida, Luiz Pinto, Rocha Barreto, Álvaro de Carvalho, Durval Albuquerque, Veiga Júnior, Celso Mariz e Hortênsio Ribeiro, a Academia Paraibana de Letras nasceu, cresceu, se desenvolveu, se consolidou e, tal qual uma árvore frondosa plenificada pelos mais saborosos frutos, ela está plantada no solo paraibano, como uma das suas mais legítimas vaidades, um dos seus mais nobres orgulhos.

Casa da palavra criadora, morada do convívio edificante e lar da estética consorciada com o trabalho, a Academia Paraibana de Letras é uma república do pensamento, na qual se abrigam os mais variados gêneros provenientes de uma multissecular arte chamada literatura, bem como de outros modos configuradores da linguagem. A poesia, o romance, a novela, o conto, o teatro, a crônica, o ensaio, a crítica, a historiografia, a pintura, o jornalismo, o direito, a política, a oratória, dentre outros modos de configuração da palavra em estado de estesia, andam de mãos dadas, enamorados e comprometidos com a sublime missão de recriar a realidade, compatibilizando-se, assim, com o emblemático verso de Cecília Meireles, segundo a qual “a vida só é possível reinventada”.

A Academia Paraibana de Letras tem-se reinventado sobremaneira, a despeito das inúmeras dificuldades por que tem passado, notadamente, as de ordem financeira, dado que são sempre parcos os recursos de que podem se valer tais instituições culturais, e a Academia Paraibana de Letras não constitui numa exceção. Apesar das dificuldades, contudo, ela segue em frente, cumprindo o seu papel e dignificando o seu alto destino.

De parabéns a memorável Casa de Coriolano de Medeiros, na passagem do seu aniversário, digno de todas as celebrações possíveis. De parabéns o seu operoso corpo de funcionários, tecelões de um cotidiano feito de amor, dedicação, capacidade de superação e possibilidade de transcendência. De parabéns a atual diretoria da Academia Paraibana de Letras, titularizada na pessoa do seu presidente, o professor Damião Ramos Cavalcanti, que não tem medido esforços para que a querida APL atinja, cada vez mais, as luminosas alturas nos céus de uma Paraíba sempre rica em imperecíveis tradições culturais.

Portador de invulgar tirocínio administrativo, o professor Damião principiou a sua gestão priorizando a restauração física da sede da nossa Academia Paraibana de Letras, logrando o seu ser/fazer nessa seara, um êxito tão indisfarçável que a APL tem-se tornado, em seu dia a dia, alvo de contumazes visitações públicas, tanto da parte dos turistas que vêm conhecer as belezas do nosso Estado, quanto de estudantes, sobretudo secundaristas, que fazem do ilustre casarão da Rua Duque de Caxias, ponto de partida e de chegada de suas acalentadas cogitações afetivas e intelectuais.

De parabéns os membros da Academia Paraibana de Letras, cada um dos seus qualificados acadêmicos, com cujas contribuições a Casa de Coriolano de Medeiros se engrandece e se perpetua no imaginário e na realidade viva da sociedade paraibana. Parabéns, Academia Paraibana de Letras, teus setenta e seis anos de existência transcendem o poder de aferição implacável que o tempo exerce sobre todas as coisas. Teus setenta e seis anos de existência são índices de glória, ícones de resistência e símbolos de eternidade. Teus setenta e seis anos de existência são poema e poesia; memória e afeto; silêncio e palavra; palavra e canto; canto lírico e gesto épico.

(*) Docente da UFCG/ membro da Academia Paraibana de Letras

Veja também

Comentários

Simple Share Buttons