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Coluna de Léo da Silva Alves: A revolução das mãos limpas

CNJ determina devassa nos salários dos juízes - image data on https://paraibaonline.com.br16/04/2017 às 14:07

Fonte: Da Redação

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* Por Léo da Silva Alves

O Rio Grande do Sul tem uma história de intolerância contra os abusos do poder central, a exemplo de várias então Províncias e mais tarde Estados do Brasil. Por muito menos do que hoje se assiste, os gaúchos montaram em cavalos bravios e cortaram serra e coxilha a rechaçar a escravidão tributária. A Guerra dos Farrapos é um marco nessa história de rejeição a um comando marginal às necessidades de quem trabalhava e produzia dignamente.

A Revolução Pernambucana, que eclodiu em 1817, repudiava os enormes gastos da Família Real e seu séquito, algo pequeno perto dos privilégios e mordomias que atualmente a nação sustenta nos três Poderes da República. Naquela época, os pernambucanos eram obrigados a enviar ao Rio de Janeiro vultosas somas em dinheiro para bancar salários, comilanças, roupas europeias e festas da Corte, enquanto sertanejos morriam assolados por uma das piores secas.

A Revolução de 1930 é marcante nos anais da Paraíba. Na voz de João Pessoa, corroborada por Getúlio Vargas, afirmou-se o movimento contra a candidatura continuísta e a eleição fraudulenta de Júlio Prestes.

Não seria difícil enumerar as diversas conflagrações, que são recursos extremos das populações insultadas. Essas insurreições não pararam no tempo. Renovam-se em diversas partes do mundo, por falta de instrumentos civilizados de resolução. Algumas com ferocidade, outras com os cidadãos armados apenas com o caráter. E, assim, governantes ilegítimos caem, tombam estátuas de ditadores e corruptos, genocidas são levados a tribunais de guerra. Sinceramente não sei o que o governo federal espera. Ou não tem consciência da memória política universal, ou simplesmente debocha da tolerância de milhões de brasileiros apostando numa suposta passividade.

O presidente da República, de quem se espera a régua ética, mantém oito ministros enxovalhados na lama da corruptela. É como se desferisse um bofetão no rosto de uma sociedade ferida. Aplica critérios pessoais em desfavor da moralidade administrativa, que é ordem da Constituição Federal.

Um Parlamento que trama o tempo todo para dar sobrevida a delinquentes é um escárnio, uma imundice. O Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraíba e o Brasil fornecem os recursos públicos para sustentar tamanha inutilidade. E é deplorável assistir autoridade do alto Judiciário vir a público, fora da função jurisdicional, agasalhar garantias constitucionais de facínoras, chefes de quadrilha e bandoleiros oficiais, enquanto as cadeias estão abarrotadas de miseráveis condenados de qualquer jeito.

Levanta, gaúcho! – como provoca uma das mais conhecidas canções do pampa. Levanta, como farão por certo, ao seu tempo, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e todas as unidades da Federação.

Faz-se imperioso resistir à humilhação dos carrascos do Planalto. O lado decente desse país tem consciência disso. Os caboclos do norte, os resistentes nordestinos, a força da produção do centro-oeste, a indignação da gente do sudeste e os demais irmãos do sul não faltarão nessas circunstâncias.

Sem um ato de violência é possível desmontar armadilhas. Com as mãos limpas também se fazem revoluções. Com apelos de virtudes igualmente se derrubam muros.

Os gaúchos, que têm o hábito de se aglutinar em torno das tradições, devem se unir ao derredor de uma causa que erga os brasileiros pelo fim dessa situação que nos coloca como vergonha internacional. Os sul-rio-grandenses que estão espalhados nesse universo de Deus podem ser embaixadores dessa proposta, fazendo eco nas querências que adotaram.

Veja-se que até aqui mobilizações de rua foram insuficientes para abalar os doentes morais acomodados nas latrinas palacianas. É preciso renovar a história. No simbolismo do cavalo, no esvoaçar dos lenços e no ímpeto do grito charrua, reside a esperança de que os vermes hospedeiros da República sintam na espinha a capacidade de levante, pacífico mas categórico, de uma população resoluta.

Levanta, gaúcho! Não faltarão militares de brio a te seguir nesta hora. Sem empunhar um fuzil, serão capazes de abalar os nervos dos mercenários pelo exemplo de patriotismo. Põe às ruas e aos campos a tua visibilidade; mobiliza-te para mostrar aos espectadores mundiais que não somos um agrupamento de retardados cívicos. Milhões de brasileiros aguardam esse momento.

As redes sociais são nossas aliadas. Usemos sem fronteiras e sem economia e façamos com que essa mensagem se multiplique em progressão geométrica.

CONVOCAÇÃO

Eis a convocação. Precisamos reunir os primeiros cinquenta “soldados” de mãos limpas (Os Cinquenta de Honra) em ato de definição de estratégias na cidade de Canela (RS) dia 3 de junho. Temos a pauta prioritária: a) expressar ao governo central o inconformismo pela imoralidade em manter ministros, ainda que em fase de investigação – porque no sistema de foro privilegiado esse fundamento é indigno; b) exigir que o presidente da República tenha postura de estadista e mostre a mínima sintonia com o que é o Brasil fora dos regabofes do Jaburu; c) denunciar ao mundo o golpe urdido no Congresso Nacional, com manipulação das regras eleitorais, com medidas de constrangimento de autoridades encarregadas de apurar crimes e com tramoias de todo o tipo para que permaneçam no poder os mesmos velhacos que nunca trabalharam na vida e que, amparados em mandatos, são parasitas do esforço alheio; d) alertar eleitores desavisados para que não admitam candidaturas de psicopatas, mentirosos, manipuladores, gatunos, vigaristas e mercadorias empacotadas pelo marketing.

Somente uma mobilização, com voz de comando e estratagema de combate, com inteligência a substituir confrontos, pode abrir as portas para a salvação nacional.

Quem toma praça nesse apelo pelo Brasil? Quem põe o lenço e se apresenta com as mãos limpas dia 3 de junho em Canela? Quem serão os Cinquenta de Honra? Quem escreverá o nome na galeria do brio nacional?

* Léo da Silva Alves é jurista radicado em Brasília, autor de 45 livros, conferencista na América do Sul, Europa e África sobre temas relacionados a responsabilidade de agentes públicos (leoalves@terra.com.br).

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