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Campina Grande - PB

Coluna de Elizabeth Marinheiro: Tessituras

Comerciante mata quatro bandidos, após reagir a assalto em Cacimba de Dentro - image data on https://paraibaonline.com.br11/06/2016 às 13:39

Fonte: Da Redação

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* Elizabeth Marinheiro

Deixando de lado diferenças e semelhanças entre Lévi-Strauss, Husserl e Derrida, procuro a “virtude mitopoética da bricolagem”, defendida por Derrida e Genette, cujas considerações sobre centro e jogo são importantes para a Crítica Literária.

Para Derrida o não-centro não é a perda do centro porque favorece a tensão do jôgo com a história e com a presença. Para ele, a linguagem é finita e exclui totalizações: “este campo é com efeito o de um jogo, isto é, de substituições infinitas no fechamento de um conjunto finito.” (A Escritura e a Diferença, p. 244).

Essa jogada segura, vou encontrá-la no livro “Vovó nos protege, Histórias de crianças para gente grande”, da autoria de Wellington Pereira.

Não sendo especialista nas tipologias que giram em torno da Literatura Infantil, nem pretendendo transformar TESSITURAS no ensaio metacrítico que a obra de Wellington exige, pontuarei leves lances do jôgo estético.

Sabendo que a língua só existe no embate com o outro, o autor paraibano convocou a monolíngua como forma de adotar outras línguas (“plus d’une langue”), afirma o desconstrucionista argelino- francês. Daí, o estatuto de sua bricolagem, fazendo a diferença: o centro é descentralizado e as referencias são transtextualizadas.

Por consequência, uma bricolagem diferenciada porque ancorada na suplementariedade derridariana. Tem-se um jogar presente/ausente, ou seja a “inocência” arquetípica é presença, tornando-se ausência pela elaboração criativa do autor.

Os duplos no conto Cristina (“Cristina construiu outra Cristina”, p. 21); em Ariadne, o mito não é jogado na ilha de Naxos por Teseu e sim salva o Minotauro, mudando “os traços do desenho” que transforma o bordado em azul (p.28).

As cores, recorrentes em todo o livro, tecem em “As horas” uma espécie de palimpsesto lírico. “Beatriz e Mallarmé” (p. 35), são personagens distantes de Dante e do “enfant terrible” porque instauram a intratextualidade renovadora de Wellington.

“Ana quer beijar os peixes” (p. 40) traz, além de refinada dicção erótica, a sutileza de uma ironia que vai na direção do ensino atual: “Na sala de aula os professores eram…” (p. 41).

Primorosa a transtextualização de Poe no texto “Edgar e o Corvo” (p. 46): um pássaro preto protegia, permanentemente Edgar, fazendo-o vencedor em qualquer prova.

Os signos do código religioso; a figura militar de um pai; o rigor dos relógios psicanalíticos; o jóquei amarelo; o cão verde; Fenando Pessoa e a música; o cavalo Dom Sebastião e outros motivos da Avó hidratam a ambivalência que permeia a obra.

Admito, portanto, que o livro apresenta dois blocos textuais que aterritorializam as tramas: um é o bloco do vovó, instância onisciente e memorial, que, mesmo sem interferir na ação, ergue-se como testemunha e conhecedora dos pensamentos dos personagens.

Outro bloco é suplementar pois os intertextos foram convocados como auxiliares e se dissolvem na estrutura semântica da ficção.

Ambos os blocos, entrelaçados entre si, produzem um efeito paródico, revitalizado pela ironia e pelo humor. Confirma-se, por minha ótica, o jogar transtextual que, ao subverter as regras do sistema lógico, abre espaço amplo para ambivalência que absorve e recusa.

A sensibilidade infantil foi driblada pela estranheza produzida no próprio discurso, o qual frustra o patético do “mundo ao revés” e aquece a dissonância.

Nas estruturas ambivalentes da dualidade, habita o espaço simbólico do jogo transtextual, alimentado pela oralidade do saber ancestral e pela desrealização dos referentes externos.

Como afirmou Hildeberto Barbosa Filho, no prefácio à “Vovó nos protege” e referindo-se, talvez, à narratologia pós-moderna: “Importa não perdê-la de vista”.

Concordo: a vovó é a voz da sabedoria testemunhal… e ancestral…

RFCC

Belíssimos os Atos que culminaram com a coroação de Nossa Senhora, em recente reunião da “Rede Feminina de Combate ao Câncer”, presidida pela liderança de Nilce França, ativa participação de suas companheiras e o decisivo apoio do “Palácio das Artes Suellen Carolini”.

Após uma alegoria representativa da Mãe de Jesus, houve a Homilia e Benção do Padre José Vanildo, antecipando a Coroação.

Os cantos do querido Padre José Vanildo e da querida Darcy Lelis comoveram os presentes. Sempre em grande estilo, a Mestre/Cerimônia Sandra Medeiros. Outro momento relevante foi oferendado pelo magnifico “Balé Suellen Carolini”. Beleza!

Entre acecípes e boas conversas, a RFCC alcançou êxito total.

ABRAÇOS

Muito verdadeiros para Celeide Farias, Terezinha Diniz, Albanita Guerra, Giovanna/Arquimedes, Maria Rita Vital Ribeiro, Mimosa Almeida, Viviane Agra, Beth Vasconcelos e para a equipe de Lula Cabral, com destaque para Patrícia e Raquel. Ao meu leitor, muito abreijos.

* Professora-doutora, ensaísta, acadêmica e escritora campinense

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