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Campina Grande - PB

A nova Coluna de Elizabeth Marinheiro: Tessituras

Fraudes à Previdência passam de R$ 56 bilhões - image data on https://paraibaonline.com.br25/06/2016 às 13:33

Fonte: Da Redação

ELIZABETE-MARINHEIRO

* Elizabeth Marinheiro

Não é acróstico. Não sei fazê-lo. Fica para a competência de Eliane Ramalho. Também era o gênero magistralmente elaborado pelo saudoso poeta JOÃO MENDES.

Trata-se, apenas, de uma homenagem à prima Zélia Figueiredo.

Z = o zelar verdadeiro pela família.

E = encatava-se com seus cachorrinhos, pássaros e gatinhos.

L = levada pela Fé, não acolheu queixas e lamentações.

I = indicava bons caminhos ao filho único, à nora e as netinhas.

Amoramou! Amoramou!

INDUSTRIALIZAÇÃO

Caminhei a cidade. Vi decorações caríssimas, nesta hora em que o Brasil tem uma dívida de quase duzentos bilhões de reais. E os governadores dirigem-se ao “Planalto” pedindo socorro…

O Rio de Janeiro é contemplado com outros bilhões em nome das olímpiadas. Diz o prefeito carioca que tudo relacionado aos jogos olímpicos está pronto. E pra onde irão os bilhões doados ao Dorneles?… Certamente para um Olimpo, onde “Jupiter” dará as ordens e não dividirá com Apolo, Diana e Plutão.

Ao Olimpo comparecerá uma nova edição dos Titãs, os quais, privilegiados por “Jupiter”, farão partilha do “bolão”.

Como esses Titãs só aspiram à imortalidade, decerto, se voltarão para o desabamento da Ciclovia, para as Escolas fechadas, para os hospitais abandonados, para os pobres morrendo.

No “Paládio” nacional, Minerva não usa suas prerrogativas, nem ergue sua voz profética: não dirige roteiros, não evita perigos. Netuno ganha um cavalo e a deusa da sabedoria, uma oliveira.

Os bois serão sacrificados por aqui e ofertados aos miseráveis e aos “inocentes úteis”.

Continuei meu caminhar.

Não encontrei as fogueiras acesas, com abraços de compadres e comadres.

As cadeiras não estavam nas calçadas.

Crianças não brincavam de “Cara de Cobra, / Cobra! / Olhos de Louco / Louca! Nem cantavam, “Craveiro, dá-me uma rosa!”

Em torno do vendedor de balõezinhos, “os minininhos pobres fazem um círculo inamovível de desejo e espanto.”

Ao passar na “Rua do Sabão”, percebi que um balão fatal cairia em local “muito longe”.

Corri com medo. Do balão? Não. Da Medusa que vendia codornas por cem reais. Eis a industrialização dos festejos juninos!

Não sei… mas, parece que ouvi São João lembrando:

“Os cavalinhos correndo.

E nós, cavalões, comendo…” Manuel Bandeira (in Rondó dos Cavalinhos)

DA ESCRITORA

Com expressivas dedicatórias, recebi de uma ex-aluna bibliografia literária, que exige a atenção das Universidades.

Histórias orbícolas; Meditações; Contos Pombalenses; Sinestesia e Nelson Gonçalves/A voz do Boemio são títulos da Escritora Onélia Setúbal Rocha de Queiroga que fortalecem qualquer boa Biblioteca.

Com apresentações de Estudiosos do Fenômeno Literário, a polifônica obra de Onélia será, futuramente, tema de minha leitura crítica.

NOTA ZERO

  • Para a tocha olímpica que motivou a morte de uma onça indefesa.

  • Para as “máquinas falantes”, utilizadas por empresa aéreas e operadoras telefônicas que permanecem enganando os consumidores.

NOTA DEZ

Para o bom atendimento da Dra. Tatiana Medeiros aos seus clientes.

– Para a generosidade de conceição Araújo e Lau Aguiar frente às dificuldades da I Seccional PEN da Paraíba.

– Para a eficiência da ZOONOSE hidratada por Jussara.

POÉTICA

A existência do cânone permanece. Embora se possa reduzir a Escritura Artistica a um listão de dez ou vinte autores, não se pode, apenas, ignorar escritores e gêneros que primam pela universalidade do Literário.

Não podemos esquecer que, sob o efeito da hipérbole globalizante, a literariedade ficou debilitada e os conceitos estéticos-literários foram relativizados. Daí a queda das axiologias e a entrada do lixo cultural que engordam a lógica do mercado com suas produções-pastiche. Para Steven Connor o que é “patinho feio” hoje, amanhã poderá ser um cisne canônico”.

Entretanto, não podemos confundir o lixo cultural com a MULTIVOCAÇÃO estimulada pelo pós-moderno. Vale esclarecer que, por esta porta, os gêneros marginais foram estimulados pelos imaginários culturais, formatando a ambiguidade, a mobilidade, a multiplicação das visões de mundo, enfim descentralizando o centro.

Referindo-se à PARACRÍTICA afirma Vattimo: “buscar recriar a Crítica de acordo com a imagem da Literatura a que ela serve”.

Ao meu leitor, abraços juninos.

* Professora-doutora, ensaísta, acadêmica e escritora campinense

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