Sábado, 10 de Dezembro de 2011 18h41
Sons dos foles e sanfonas
Durante os anos setenta o forró circulava Brasil afora, ostentando status de música brasileira, visto que figurava nas paradas de sucesso da época em situação privilegiada.
Se olharmos o retrovisor da história da música brasileira, veremos sucessos de Antonio Barros, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Marines e outros, no topo do chamado hit Parede do país, bem à frente, às vezes, do sempre festejado Roberto Carlos.
Além disso, gente de porte, a exemplo dos Incríveis, gravava forró (Sem Vergonheira), Tim Maia (Canário do Reino), Gilberto Gil (vários), sem falar, mesmo de forma eventual, de Chico Buarque e Maria Betânia.
Nos anos oitenta o forró sai de cena e as razões para tal, ainda não foram analisadas devidamente, embora o Mestre Jackson do Pandeiro debite esse declínio a ascensão da Jovem Guarda e da enxurrada da música internacional no país. Com a devida vênia, diria ao Mestre que as coisas não são bem assim.
Talvez, os próprios forrozeiros tenham se fechado em copas, não acompanhado a narrativa daquele tempo, armadilha a qual não caiu Antonio Barros. Tanto é que, com temas urbanos, levou o sofisticado Ney Matogrosso a gravar, e a estourar, Homem com H e outros.
Tudo isso, porém, leva-nos a reconhecer a necessidade de que o forró precisa de oxigênio, de fôlego mais elástico para figurar novamente no cenário nacional. Nesse sentido não se recomenda o discurso subserviente e pedinte, no qual o nordestino se coloca como “coitadinho”, sempre necessitando de uma “forcinha”.
Ao invés dessa prática, deve-se partir para a afirmação da força do forró. Deve-se realçar, sem modéstia, o talento dos nossos artistas e sua indescritível criatividade – forma de abrir clareiras no hermético mercado, comandado pela Indústria Cultural.
Assim, o III Encontro de Foles e Sanfonas da Paraíba contribui para essa perspectiva na medida em que disponibiliza ao público, na próxima terça-feira, 13, no Largo de São Frei Pedro Gonçalves, uma larga programação:
Manhã
6.30 Alvorada sanfonada
7:00 Missa em ação de Graças
8 :00 Café da manhã na Associação Balaio Nordeste
9:00 Oficinas de acordeom com o mestre da Sanfona João Severo da Silva (Severo do Acordeom)
10:00 Mesa redonda com Severo do Acordeom, sanfoneiros, professores e pesquisadores.
12:00 Almoço com apresentações dos grupos Forró Encabulado e Flor de Caruá e Oficina com o Mestre dos oito baixos: Luizinho Calixto.
15:00 Mesa redonda com Luizinho Calixto, sanfoneiros, professores, alunos e pesquisadores culturais.
17:00 Jantar com apresentações de Adilsom Medeiros e Chico Ribeiro e os Cabras de Mateus
Noite
19:00 Show de Junior Limeira
20:00 Show do Forrozão Xamego Nordestino
21:00 Show do Forró Ripa na Chulipa
22:00 Entrega dos Troféus aos homenageados Bastinho Calixto e Severo do Acordeom
22:15 Show de Luizinho Calixto e Roberto dos Oito Baixos
23:00 Severo do Acordeom e convidados: Mahatma, Claudinho Pereira, Ivan Martins e Basto do Acordeom
Note-se que tudo isso vai acontecer na capital paraibana que, a bem da verdade, vem se organizando bem mais que outras cidades, cuja concentração de forrozeiros é dotada de grande densidade, a exemplo de Campina Grande, privilegiada por ter nomes como João Gonçalves, Edmar Miguel. Amazan e Biliu de Campina, recém-chegando de uma bem sucedida turnê, envolvendo Bélgica e Holanda num dos maiores festivais mundo, o Europália.
Enquanto outras cidades não se organizam, Joana Alves, presidente da Associação Balaio Cultural sai na frente, mas sempre convidando os interessados a se incorporarem a estratégia de colocar o forró no seu merecido lugar.
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